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Araçatuba, domingo, 27 de abril de 2003


Editorial


Bons resultados

Aparentemente a passagem do governador Geraldo Alckmin e grande comitiva pela região de Araçatuba deve render bons frutos. O governador esteve aqui por dois dias com o programa Governo Presente, onde ouve prefeitos e representantes da sociedade civil, que buscam apresentar suas reivindicações e sugestões para uma melhor condução do governo estadual.

Como fruto da instalação de seu governo em Araçatuba, Alckmin anunciou verbas e para toda a região as expectativas indicam que podem vir algo em torno de R$ 6 milhões para vários setores, tudo reivindicação de prefeitos, vereadores e representantes de setores da sociedade.

Para Araçatuba, Alckmin anunciou a destinação de R$ 200 mil para o projeto que prevê a ampliação da Santa Casa e mais R$ 1,9 milhão para a construção de um hospital veterinário na Unesp, além de recursos para a construção de 230 casas para desfavelamento e outras 514 para mais um conjunto habitacional.

O coordenador do Gead (Grupo de Entidades de Apoio ao Desenvolvimento de Araçatuba), Marcelo Mazzei, representou a sociedade local no evento e destacou a grande importância que o turismo representa para a região e pediu ao governador que fizesse investimentos para alavancar o setor.

Logicamente que não poderia se esperar mais do que foi anunciado pelo governador Geraldo Alckmin, seria ingenuidade acreditar que viriam vastos recursos ou obras mirabolantes.

O governador já demonstrou por diversas vezes que é um homem de pés no chão e que pretende investir e melhorar o estado de forma gradativa. Portanto, nada além do que foi anunciado e nada muito vultoso que pudesse trazer alguma grande euforia.

Porém, os investimentos anunciados são pequenos, mas de fundamental importância para os setores envolvidos. Vejamos: para a Santa Casa Alckmin anunciou a destinação de verbas para a ampliação do hospital, que hoje, apesar de ter o status de regional e atuar como tal, anda enfrentando sucessivas crises, que vez por outra acabam paralisando algum setor fundamental. Portanto, essa verba deve aliviar um pouco o hospital e também trazer benefícios para a população.

Os recursos para a construção de um hospital veterinário também são importantes, principalmente em uma cidade como Araçatuba, que vive ameaçada pela leishmaniose. Não se pode deixar de citar os recursos destinados à construção de casas populares, reivindicação constante da população.

Pensando desse modo, pode-se avaliar que a passagem do governador por Araçatuba foi proveitosa e, certamente, secretários e assessores seguem para São Paulo com suas pastas abarrotadas de solicitações feitas por todos os prefeitos da região.

Fica a importante lição de que existem reivindicações comuns que podem ser feitas conjuntamente de modo a receber uma resposta mais satisfatória. Mesmo preocupados com seus municípios, prefeitos, vereadores e representantes da sociedade uniram-se m um objetivo comum que é o fortalecimento da região. Reivindicações objetivas recebem respostas objetivas e a partir daí a população passa a ser beneficiada.



A agonia da diplomacia

Setores antes intocáveis do Governo Federal começam a dar sinais de estarem sofrendo profundos reveses em sua tão calma e abundante vida. Alguns desses setores, como o Banco do Brasil e a Petrobrás, já não traduzem o status que antes ostentavam; outros, como o Poder Judiciário, duramente atacado durante a semana que passou pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ainda resistem.

Porém, nenhum setor público de tanta importância e destaque foi tão ameaçado quanto o está sendo a diplomacia brasileira. A situação está tão crítica que alguns diplomatas já estão preocupados com medo de serem despejados dos seus domicílios por falta de pagamento.

O Governo Federal ordenou um corte geral nos gastos, cancelou o pagamento de horas extras para todos os funcionários das embaixadas no exterior, cortou gastos com telefone, combustível, água e luz. A situação de penúria é tão séria que falta até cartucho de impressora em alguns locais.

Funcionários mais antigos da diplomacia já acenam com uma volta ao Brasil, evitando, dessa forma, um vexame maior, como o de ser despejado ou de ver a luz e água sendo cortados.

Como não poderia ser diferente, o Itamaraty trata do assunto da forma mais discreta possível, dizendo que os cortes e atrasos nos pagamentos são fruto de ajustes internos, que logo serão resolvidos e ninguém será prejudicado.

Porém, a situação é tão crítica que vários funcionários de embaixadas estão se recusando a assumir postos no exterior, com medo de terem que enfrentar a crise que assola a diplomacia do país.

É inadmissível para um país como o Brasil, com o grau de importância internacional que já adquiriu, ver sua diplomacia sendo exposta a uma situação tão constrangedora como a atual.

Alguém pode imaginar o que é para um diplomata ou mesmo para um funcionário da Embaixada Brasileira em Londres, por exemplo, ser despejado de sua residência? Se isso acontecer alguém duvida de que será muito difícil conseguir um outro imóvel para alugar? Mas, com a falta de pagamento do auxílio-moradia que pode variar de 50 a 100% do valor do aluguel, isso não está longe de ser uma realidade.

Fica muito difícil de acreditar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não saiba e, principalmente, não reconheça a importância da diplomacia brasileira, a ponto de deixar essa situação chegar ao ponto onde chegou. A diplomacia é fundamental para as boas relações entre países, o que, no momento atual, é muito importante para o Brasil, que precisa se firmar como Nação em desenvolvimento e se integrar com os demais países do mundo. Portanto, mais do que a discreta resposta do Itamaraty, é importante a ação do próprio presidente para acabar com esse vexame brasileiro no exterior.