Wilson Marini é editor-executivo da APJ (Associação Paulista de Jornais)

Wilson Marini: Energia solar avança no Estado

É no Estado de São Paulo, em várias regiões, que ocorre atualmente o maior avanço na instalação de conexões fotovoltaicas do país, segundo relatório da Fundação Seade. Desde dezembro de 2015, houve crescimento do setor superior a 12 vezes, de 200 para 2.496 unidades. Campinas apresenta o maior número de conexões, com 16,7% do total do Estado (417), vindo a seguir São Paulo (195), São José do Rio Preto (86), Ribeirão Preto (62), Mogi Mirim (55), Bauru (50), Indaiatuba (49), Sorocaba (46) e Valinhos (40). Outras 263 cidades também constam do levantamento. Lins é a terceira cidade em potência instalada, graças à usina do câmpus da Fundação Paulista de Tecnologia e Educação (FPTE), situando-se abaixo apenas de Campinas e de São Paulo. 

Investimentos
Entre os investimentos estaduais está a implantação pela CPFL Energia de sistemas solares fotovoltaicos em Campinas, envolvendo 200 unidades residenciais, o data center da Algar Tech e o hospital do Centro Infantil Boldrini. A Enel instalou a maior usina em telhado do Brasil, com duas mil placas solares, em Osasco, na nova sede do Mercado Livre, do segmento de comércio eletrônico. E mais: a construção de fábricas de painéis solares em Campinas, pela BYD, Schutten We Brazil e DYA Solar; em Valinhos, pela Globo Brasil; em Sorocaba, pela Flextronics, em parceria com Canadian Solar; a unidade de produção de inversores em Sorocaba, pela ABB, e a de reatores elétricos em Itu, pela Trafotek.

Em expansão
A geração distribuída vem se consolidando no mundo como forma inteligente de produzir eletricidade. A expressão é usada para designar a geração elétrica junto ou próxima dos consumidores, independentemente da potência, tecnologia e fonte de energia. Esse tipo de produção, segundo os técnicos, diminui os custos da energia, proporciona maior segurança no fornecimento, evita perdas em linhas de transmissão, não causa impactos ambientais e ainda contribui para a redução de emissão de gases com efeito estufa (causador do aquecimento global) e a diversificação da matriz energética. Entre 2012 e junho de 2017, foram registradas no país 12.237 unidades de GD, que somam potência instalada de 139,1 MW. A quase totalidade dessas geradoras de pequeno porte (12.115) é do tipo solar fotovoltaica (UFV), 54 são termelétricas (UTE), 52 eólicas (EOL) e 16 centrais geradoras hidrelétricas (CGH). Cerca de 42% das unidades fotovoltaicas estão nos estados de São Paulo e Minas Gerais.

Casas populares
Em dezembro de 2016, o governo paulista, em parceria com as concessionárias de distribuição elétrica, iniciou projeto-piloto de instalação de placas solares e inversores em 26 casas construídas pela CDHU nos municípios de Pontes Gestal, Elisiário e Itatinga. Os resultados do projeto servirão de base para instalar sistemas semelhantes em outras 51 mil moradias construídas entre 2011 e 2016. A geração de energia solar também tem forte potencial de expansão em galpões, armazéns, estabelecimentos industriais, comerciais e na agricultura.

Empregos
Novas oportunidades de negócios, emprego e renda tendem a se multiplicar nos vários segmentos que integram a cadeia produtiva fotovoltaica. No Estado de São Paulo, já operam fábricas de painéis solares, inversores e outros componentes do kit de geração solar, como estruturas de suporte das placas fotovoltaicas, cabos, trackers (rastreadores que acompanham o movimento do sol) e medidores bidirecionais de carga elétrica. Também ganham relevância os fornecedores de serviços vinculados a essa área, como a elaboração de projetos de engenharia e arquitetura, montagem e manutenção dos equipamentos, capacitação técnica de instaladores, consultoria econômico-financeira, logística e canais de venda. 

Tendência
Grandes operadoras do setor elétrico estão criando divisões específicas para oferecer soluções completas aos consumidores que pretendem produzir sua própria energia. A redução gradativa dos custos da GD fotovoltaica deve ampliar a demanda, sendo que diversas instituições financeiras, públicas e privadas, buscam oferecer linhas de crédito atraentes aos interessados.

Internet das Coisas mudará as cidades 
A Internet das Coisas tende a transformar a indústria, o agronegócio, a saúde e as cidades. É o que revela a revista Pesquisa, da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). Estudo encomendado pelo BNDES mostra que a conectividade e sensores têm potencial para aumentar a produtividade da economia brasileira e criar novas oportunidades para empresas de base tecnológica do país. Quatro ambientes - as cidades, a saúde, a indústria e o agronegócio - foram apontados como prioritários para receber investimentos no país, devido ao impacto econômico e social que podem gerar. O estudo propõe uma articulação entre empresas, governo e agências de fomento à pesquisa para garantir os investimentos necessários. Suas conclusões vão municiar o Plano Nacional de Internet das Coisas, que deve ser lançado pelo governo federal no final de outubro.

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