José Renato Nalini é secretário da Educação do Estado de São Paulo

José Renato Nalini: O futuro é incerto?

No Brasil de hoje, nem o passado é certo. Quanto mais o porvir! Por isso, não é de se estranhar que Sérgio Abranches tenha escrito “A Era do Imprevisto”, livro recém-publicado pela Companhia das Letras. O subtítulo é “A Grande Transição do Século XXI”.

A obra aborda a maior questão destes tempos: a tutela do ambiente. Como é que os condutores da política, os detentores do poder, estão tratando desse tema de relevância extrema. Além de imbricar política e ambiente, Sérgio Abranches se propõe a investigar como é que o incremento no uso das redes sociais afeta a organização da sociedade do futuro. Como o papel do conhecimento emergente, em termos de biotecnologia, nanotecnologia, inteligência artificial, influenciará a vida humana?

Tudo parece estar de cabeça para baixo. A ira transborda e os “haters” — os que odeiam — se manifestam em todos os espaços e nas mais distintas ocasiões. Enquanto se ouve o ruído contínuo da quebra de paradigmas, não nascem as novas e desejadas estruturas. Por isso, a sensação de caos e desalento, a preponderar sobre as potencialidades positivas.

O maior desafio da humanidade é a gravidade e a rapidez com que as mudanças climáticas estão se impondo. O capitalismo desenfreado breca as melhores intenções e tudo parece direcionar-se para a resolução do problema tópico e insignificante diante do desastre que se avizinha. Aliás, já estão entre nós, sob a forma de absurdos meteorológicos, ocorrências insólitas e inesperadas e a absoluta falta de controle sobre aquilo que já foi um dia regulado, estável e com cuja periodicidade se podia contar.

A democracia continua a ser uma utopia. A representação tem fraturas expostas que dificilmente serão sanadas com paliativos. Haverá esperança para as novas gerações?

Para Sérgio Abranches, o remédio é utilizar todas as possibilidades do ciberespaço para criar um modelo de participação política que se assemelhe à democracia direta. Pois a democracia representativa é, na verdade, uma oligarquia em que predomina a hegemonia do capital financeiro. Vamos investir numa educação verdadeiramente democrática, pois as crianças não têm culpa em relação às nossas falhas e à nossa imprevisão diante de um planeta que deu contínuos sinais de exaustão.