Wilson Marini é editor-executivo da APJ (Associação Paulista de Jornais)

Contexto Paulista: Novo Ceasa mudará rota de produtores de todo o País

O desenho do Novo Ceasa, na região metropolitana de São Paulo, foi apresentado à imprensa na sexta-feira (16). A ideia é aliviar a atual região da zona cerealista, no bairro da Lapa, na capital, que gera entraves no trânsito e aos moradores da área, e dificulta o acesso dos produtores que vêm de mais de 1,5 mil municípios brasileiros e até de outros países. Vem aí um moderníssimo e amplo novo entreposto, e isso evidentemente vai mudar a rotina no fluxo dos transportadores de verduras, frutas, legumes e peixes e dos consumidores em geral. Cerca de 50 mil pessoas frequentam o local diariamente. Mais de 10 mil veículos por dia geram um gargalo de mobilidade no entorno, além da degradação da paisagem urbana e problemas sanitários. Por ano, são comercializadas 7 milhões de toneladas de alimentos. Metade fica na Grande São Paulo. A outra metade vai para o Interior Paulista e outros estados. O novo local receberá também carne e laticínios, o que não ocorre na atualidade.

Onde será
O governo estadual tem 60 dias para definir o melhor modelo e outros 60 para fazer a preparação dos documentos, aprovações e a publicação do edital. São estas as alternativas para o Novo Ceasa:

1) Companhia Paulista de Desenvolvimento (CPD): terreno de 2 milhões de m² na Avenida Raimundo Pereira de Guimarães, na junção dos trechos Norte e Oeste do Rodoanel. A proposta é operar com área construída de 482 mil de m².
2) Ideal Partners: imóvel em Santana do Parnaíba com 4 milhões de m² e sugestão de operar com área construída de 1 milhão de m². O acesso é pelo Rodoanel Oeste e rodovias Castello Branco e Anhanguera.
3) Fral: terreno na Lagoa de Carapicuíba, em Barueri, próximo a Osasco, também com acesso pelo Rodoanel Oeste, com 1,9 milhão de m² no total e área construída sugerida de 864 mil m².
4) Nesp: área com 4 milhões de m² no km 26 da Rodovia dos Bandeirantes, com acesso pelo Rodoanel Oeste. A área construída não foi especificada.

Tudo mudou
O Ceasa foi construído pelo governo paulista na década de 1960, quando a Lapa ainda era um bairro afastado da cidade. Nos anos 1990, o espaço passou à administração da União, sob o atual nome de Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp). Desde que foi criado, o Ceasa/Ceagesp foi rapidamente engolido pelo crescimento da cidade, ao mesmo tempo em que via crescer seu volume de negócios. A competência pela gestão da logística de abastecimento e distribuição de alimentos é das três esferas do poder público. Por isso, o projeto Novo Ceasa acontecerá em parceria entre União, Estado e município de São Paulo.

Fim do gargalo
A conclusão de que o Ceasa da Lapa está inadequado para aquele lugar é quase unânime, admite Rubens Rizek, secretário-adjunto de Agricultura e Abastecimento. “Esse Ceasa é da década de 1960. Ali não era uma região totalmente urbanizada. O local foi concebido com as tecnologias de abastecimento, docas, transporte, armazenagem que existiam na época e hoje estão superadas”, diz.

Manteiga e azeite na mesa
Os indicadores relativos a hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo indicam, segundo o IBGE, aumento da massa de rendimentos reais habitualmente recebida e a redução sistemática da inflação. O volume de vendas cresceu 0,9% em relação a dezembro de 2017. Evidência dessa tendência otimista no varejo é a retomada do consumo de itens cortados pelas famílias no auge da recessão, como manteiga e azeite. Os resultados superaram as expectativas dos analistas e dão alento às projeções de aceleração da atividade econômica em 2018.

Novo ímpeto na indústria
O Indicador de Intenção de Investimentos da Indústria do Instituto Brasileiro de Economia (FGV IBRE) avançou 7,7 pontos no primeiro trimestre de 2018 em relação ao trimestre anterior, atingindo o maior nível desde o quarto trimestre de 2013. Segundo Aloísio Campelo Jr., superintendente do órgão, o resultado acena com um cenário de aceleração dos investimentos em 2018, respaldado pela expectativa de retomada do crescimento do setor da construção e de mais um bom ano da agropecuária e da indústria de transformação.

Investimentos
●     A Yara, fabricante de fertilizantes, inaugurou quarta-feira (14/3) sua primeira fábrica de compostos foliares e micronutrientes no Brasil. Investiu R$ 100 milhões na unidade de Sumaré, próximo a Americana.
●     O Moinho Santo André, fabricante de farinha de trigo, voltará a funcionar. Serão gerados 130 empregos. A empresa foi arrendada para a argentina Canuelas por 30 anos, em contrato estimado em R$ 200 milhões, segundo apurou o Diário do Grande ABC, da Rede APJ.

Visão regional
A Universidade Municipal de São Caetano lançou o Observatório de Políticas Públicas, Empreendedorismo e Conjuntura, com o objetivo de contribuir para o aprimoramento de políticas públicas e privadas do Grande ABC. “Vamos observar atentamente alguns fenômenos ligados a economia, contabilidade, administração, comércio exterior, inovação tecnológica e empreendedorismo da região”, explicou Jefferson José da Conceição, coordenador do observatório, ao Diário do Grande ABC.

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