Autoridades falam sobre série de reportagens de narcotráfico

Roberto Alexandre - Da Redação

Uma radiografia do submundo do narcotráfico, um alerta para a sociedade sobre os danos provocados pela venda de drogas, um desestímulo para aqueles que pensam em entrar ou que estão envolvidos com o crime de entorpecentes.

Esses foram os benefícios destacados por autoridades de Araçatuba que lidam com o problema do tráfico de drogas, ao comentarem a série de reportagens "A Rota das Mulas", produzida pela Folha da Região. As reportagens, publicadas de domingo até ontem, mostraram como funciona o submundo do tráfico de entorpecentes, com o enfoque no trabalho das "mulas" (pessoas que transportam drogas no próprio corpo). Para mostrar a rota, dois jornalistas da Folha percorreram dois mil quilômetros, de Araçatuba à Bolívia.

Em sete dias de viagem, o repórter Roberto Alexandre e o repórter fotográfico Valdivo Pereira acompanharam de perto, nas cidades bolivianas de Puerto Suarez e Puerto Quijarro, a fabricação das cápsulas de pasta base de cocaína e o ritual de ingestão do material.

Após oito meses de planejamento, a expedição aconteceu em agosto. O objetivo da viagem foi mapear o caminho percorrido pelas mulas, desde as cidades fronteiriças do Brasil com a Bolívia, até o interior paulista. O caminho foi a BR-262, que corta o Mato Grosso do Sul, e a SP-300, a rodovia Marechal Rondon, porta de entrada de entorpecente pela região de Araçatuba. Confira a seguir os comentários das autoridades.

REPERCUSSÃO

"As matérias revelam o quanto é complexa e dispendiosa a repressão ao tráfico no Brasil, sem auxílio da Bolívia, onde a matéria-prima é nativa e as dificuldades econômicas da população empurram-na para as atividades ilícitas". José Pereira de Paula, delegado federal em Araçatuba
"É interessante mostrar aos cidadãos que o crime não compensa. O tráfico produz um enorme dano social, escraviza os jovens e dilacera muitas famílias. As mulas que integram essa engrenagem também padecem quando são presas." Sérgio Martos Evangelista, promotor de Justiça
"Impressionante! Traz aos olhos dos cidadãos a dura realidade de quem se envolve nesse submundo, a exemplo do que mencionou um ex-traficante entrevistado que disse: 'Não tenho nada daquela época, só lembranças tristes'." Rogério Chibeni Yarid, vice-presidente da subseção de Araçatuba da OAB
"Interessante a série. Informa a população sobre um dos métodos do tráfico e expõe a desconsideração do ser humano com a própria saúde e segurança. A ocorrência de uma overdose é muito provável ao transportar a droga no corpo." Jaime José da Silva, vereador e delegado de entorpecentes
"Interessantes as reportagens. Mostram a triste realidade da droga. A guerra contra o tráfico é perdida. É preciso conscientizar o viciado a não fazer uso de entorpecente. É um trabalho que trata o homem como ser humano e não como mero objeto." Emerson Sumariva Júnior, juiz de Direito
"Sensacional Essa série de reportagens desnuda o submundo do tráfico de drogas, e poderia, pelos exemplos mencionados, desestimular as pessoas que insistem nessa prática tão nefasta para si e para acoletividade." Ely Vieira de Faria, delegado seccional de Polícia de Araçatuba
"Sob o ponto de vista jornalístico, elas foram a fundo sobre como funciona o tráfico. Sob o ponto de vista social, acho que nem sempre se pode fundamentar o delito em cima da miséria. Não é regra. Para mim, o tráfico de drogas é praticado por quem tem uma personalidade deformada." Wellington José Prates, juiz de Direito






« Voltar

© Copyright Editora Folha da Região de Araçatuba Ltda.