Ficção científica faz ‘alerta’ sobre futuro distópico

Mais do que simplesmente uma discussão sobre as possibilidades que a ciência e a tecnologia oferecem, a ficção científica também pode servir para alertar sobre consequências catastróficas que elas podem causar.

É comum, por exemplo, ler histórias sobre como a inteligência artificial vai tornar os computadores tão inteligentes a ponto de eles se voltarem contra os humanos num futuro longínquo. Recentemente, a série britânica Black Mirror, exibida no Brasil pelo serviço de streaming Netflix, deixou muita gente de cabelo em pé ao contemplar, por exemplo, as possibilidades imersivas da realidade virtual ou a vida em uma sociedade movida pela aprovação - ou pelo curtir - dos outros. A histeria foi tanta que até gerou um bordão, usado frequentemente ao se comentar novidades da tecnologia: "Meu, isso é muito Black Mirror!"

"Essa é uma das principais diferenças da ficção científica e da fantasia: normalmente, a primeira nos mostra coisas que a gente não quer que aconteça", diz Walda Roseman, presidente da Fundação Arthur C. Clarke, dedicada ao autor de 2001 - Uma Odisseia no Espaço e O Fim da Infância. "Clarke dizia que, ao imaginarmos algo assim, talvez já tenhamos aberto caixa de Pandora."

Para a maioria dos entrevistados para esta reportagem, uma das principais funções da ficção científica - se é que a arte precisa de uma função própria - é a de servir como alerta. "Muita gente se questiona se tanta tecnologia (e ficção) vai de fato melhorar a nossa vida", diz Fábio Gandour, cientista-chefe do laboratório da IBM no Brasil. "Precisamos acreditar que sim, porque faz parte da luta pela sobrevivência do ser humano. A realidade tem que ter mais elementos utópicos do que distópicos." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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