Yara Pedro Carvalho é presidente da Academia Araçatubense de Letras

Yara Pedro Carvalho: Presentes que eu daria a Araçatuba se fosse Papai Noel

Como Papai Noel em Araçatuba, eu daria muitos presentes desejáveis por muitos e indesejáveis pele mesmo tanto. Começaria por um pacote imenso de cobranças para quem ama de fato nossa cidade e não passa por aqui só para colher seus louros e gargantear por todo lado que se fez sozinho ou sozinha. 

Neste pacotão, incluiria um diploma para que as pessoas com este perfil tivessem direito a psiquiatras ou psicólogos de grande habilidade e conhecimento, para dar aos presenteados a consciência de que ser ou não ser não é mais a questão. Isto é para Shakespeare e não para este mundo aberto e até festeiro demais. 

Uma boa dose de desconfiômetro para que não jogassem todo confete do mundo sobre si mesmos. Há parceiros de jornada nesta jogada e o melhor é distribuir as honras recebidas com quem tem este direito. Um espelho falante que mostrasse seus estereótipos tais como eles são e lhes desse dicas de como ficar melhores, aparentemente pelo menos. Um carro muito inteligente e potente que levasse para muito longe da cidade aqueles que a desprezam e os esquecesse por lá para sempre.
 
Um livro de boas maneiras para alguns deixarem de ser postes ou muralhas e, simpaticamente, fizessem jus ao cargo que ocupam ou ao projeto que encabeçam. Ouvidos nobres para outros que, mesmo sendo desagradáveis, podem e devem ser o contrário, ou ninguém crescerá enquanto estiver perto dos seus mandos e convencimentos. 

Muito asfalto para todos os buracos que nos ofendem, arrancam parte de nossos carros ou nos acidentam. Muita poda de árvores que viraram aleijões pelo descaso ou incompetência de quem as podou e que, na primeira ventania de verão, cairão sobre as cabeças de qualquer um. 

Um lugar mais digno para os habitantes de rua e trabalho para estes fantasmas que só são vistos quando alguém quer cumprir uma promessa e lhes dão o peixe frito, e com arroz e feijão. Cadastro neles, trabalhos para eles, orgulho de saírem da preguiça ou pobreza mesmo encarando o sol que outros encaram no trabalho que, mesmo duro e cansativo, lhes dá o orgulho de serem gente que faz. 

Uma dose de brasilidade para os brincalhões do Face para que trabalhassem com este instrumento só levando verdades aos participantes desta rede virtual. Menos pressa para minhas realizações com relação a tudo que me empenho a fazer, para ter adesão dos demais que consagram as mesmas ideias e possam colaborar, no seu tempo e possibilidades, com estes projetos e que estes possam ser vistos pelo propósito que têm. 

Daria vida ao Parque Aquático que nos dá de graça a boa água termal, mas por algum motivo, certamente burocrático, não sai do papel. Desaprisionaria os poucos bichos que sucumbem num zoológico de mentira e faria do espaço um lugar de lazer de fato, bem cuidado e vigiado. Não podemos esperar educação para depois fazer algo. Vamos educar cobrando e punindo. 

Se eu fosse Papai Noel, daria vida ao centro de nossa cidade, reformulando a serventia da estação ferroviária antiga que hoje é mais que o lado feio da cidade, é abrigo para almas e corpos no limbo. Cara nova e apreciável ao Museu Rondon e garantia de que rodoviária e Prefeitura não podem ocupar o mesmo lugar. Impressiona pela sujeira de toda rodoviária e em nada enobrece a Casa Mestra de nossa cidade. Só queria ser Papai Noel de verdade!!!!!

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