Yara Pedro Carvalho é presidente da Academia Araçatubense de Letras

Yara Pedro Carvalho: Compras de Natal

Resolvendo que, com calor ou chuva, as contas precisam ser pagas, me armei de toda coragem e fui cumprir minha obrigação. Eu devo sempre , mas pago certinho , então não devo, na verdade só faço o combinado, assim fico tranquila e meus fornecedores de conforto também. 

Assim fiquei surpresa por andar pelo calçadão de Araçatuba e perceber que posso ser profeta. Profeta é aquele que consegue antecipar futuros bons, ou maus acontecimentos, por um dom que pode ser espiritual ou apenas por bom senso. Fui pelo bom senso. Já percebera há um tempo que este tipo de comércio apareceria por aqui e mergulharíamos de cabeça no consumo de seus itens.

Fiquei admirada com a implantação de lojas grandes e fartas de coisinhas e coisinhas com colorido estimulante, formatos dos mais diversos, para toda e qualquer utilidade, sabidamente para pouco tempo de uso devido aos materiais usados e sem garantia alguma de funcionamento por qualquer tempo. 

Começa aqui a 25 de março de São Paulo, capital , onde estes novos comerciantes atacam o consumidor com inutilidades de dar água na boca, tamanha a variedade e com custo baixo, assim como a qualidade da mercadoria, mas os olhos enlouquecem, a mente se atrapalha e, que mal tem dar uma porcariazinha para alguém, cuja decisão de utilizar não sai de nossas mãos?! 

Certamente passará para frente, ou as crianças receberão para acabar de estragar aquilo que não presta mesmo!!! Em dois quarteirões, já são seis ou mais lojas deste tipo, nos melhores pontos para comércio de qualidade. Certamente pagam os aluguéis corretamente ou compram tais imóveis. 

Estas pessoas recebem ajuda para se colocarem em pontos estratégicos, se ajudam, mas ...a que preço!! Bendito sejam as lojas Bahia e outras do tipo que permitem pagamentos a longo prazo para utilidades reais no conforto da família. 

Encanto-me, sabendo que todos ali têm o direito de escolher pensando tomar uma água geladinha neste calor infernal, conservar alimentos sem adoecer por conta do consumo de alimento mal conservado, também pelos olhares das crianças que recebem uma caminha nova e boa para sonhar. 

Aquela TV que, se bem usada, trará descanso do dia difícil e reunirá a família para bem escolherem um programa gostoso de viver e, munidos de controle remoto, assistirão o que não deseduca, certamente. Lembro-me bem quando comprei um liquidificador parceladamente. Só podia ser desta forma, ou não o teríamos para bater as sopinhas das crianças. Estas novas lojas mantêm os empregados em vigilância dos que entram e dos que saem, numa busca nojenta de ladrões oportunistas e encaram a todos como se assim fossem. 

Os caixas não encaram o cliente com simpatia e pouco falam nossa língua. Contam dinheiro, apenas. Tenho aversão a este tipo de comércio escancaradamente de má-fé. Nossa cidade poderia peneirar a proliferação deste tipo de comerciante, de acordo com as leis municipais? Credo, até a simplicidade de bom interior estamos perdendo. 

O camelódromo foi feito para ter um comércio mais diversificado e são brasileiros que ocupam o lugar, como bons brasileiros recebem a todos com carinho e até se faz boas amizades por ali. Já têm o suficiente para suprir a população que vem de fora da cidade e, mesmo para aqueles que aqui habitam, sem esta absurda apelação e falta de respeito.

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