Velocidade que não surpreende

O silêncio é a maior munição para a proliferação de abuso sexual

No fim de semana passado, a prisão de um idoso de 70 anos acusado de molestar duas meninas, uma de 7 e outra de 5 anos. Detalhe: ele havia sido chamado pela mãe das crianças para ajudar a cuidar delas. No decorrer desta semana, a prisão de um desempregado que teria agarrado uma mulher dentro de uma agência bancária no centro de Araçatuba. Por fim, também nos últimos dias, o início de investigação contra diretor da Prefeitura acusado de assediar uma aprendiz de 17 anos de idade. 

A velocidade com que vieram à tona esses casos, todos em um intervalo inferior a uma semana, mostra pelo menos um avanço: o quanto a sociedade já tem consciência da necessidade de denunciar o abuso sexual. 

Pode parecer lugar-comum afirmar, mas a denúncia é a principal ferramenta a fim de se coibir essa prática, que, quase sempre, vem acompanhada de outro crime, a violência doméstica. É só assim que as autoridades poderão chegar a esses criminosos, com possibilidade mais célere de esclarecimento.

Os três episódios registrados nos últimos dias servem ainda para reflexões mais profundas. Crimes desse tipo estão ocorrendo, cada vez mais, em lugares distintos, indo, portanto, muito além da residência ou das escolas, ambientes em que o abuso se dá com mais frequência. Recentemente, este matutino noticiou que até mesmo ônibus de viagens já viraram locais propícios para os atos.

Dos três casos noticiados por este jornal nesta semana, dois ocorreram em ambientes públicos, ou seja, na sede da Prefeitura e em um estabelecimento bancário. O outro surpreendeu uma jovem mãe que confiou em uma pessoa de idade mais avançada.

A Folha da Região, ao noticiar crimes resultantes de abuso sexual, como os registrados nesta semana, não busca, de nenhuma forma, fazer sensacionalismo, mas trazer ao conhecimento de seu público leitor o modus operandi desses bandidos e ajudar na apuração dos fatos. 

O silêncio, seja de quem sofre o abuso ou de quem tem o poder de denunciar e não o faz, é a maior munição para a proliferação dessa prática. O Estado deu passos largos no combate ao assédio e à violência sexual, o que se percebe no aperfeiçoamento da legislação e na realização de campanhas de conscientização. Não pode, assim, o poder público deixar de punir devidamente esses criminosos, pois, daí, o custo para o reparo do problema é muito maior. 

A violência sexual causa traumas que perduram a vida inteira, fazendo com que as vítimas dependam de todo um tratamento para reparar essa dor. 

LINK CURTO: http://folha.fr/1.373909