Antônio Ramos, o “Tuco”, com a esposa Olga; no destaque, capa do livro

Uma vida dedicada à educação

Professor é tema de biografia feita pela própria filha

“Tuco , uma vida dedicada à educação”. Este é o título do livro que conta a história do professor Antônio Ramos, de 85 anos, que será lançado nesta semana em Araçatuba. A biografia do educador é contada pela própria filha dele, Ana Lúcia de Arruda Ramos Rezende, em parceria com o jornalista Arnon Gomes. 

Ramos ganhou o apelido de Tuco ainda na infância, em Braúna, sua cidade natal. A família dele foi uma das pioneiras daquele município. Tuco teve um pai visionário, Luiz Ramos, que, assim que chegou a Braúna, vindo de Terra Roxa (SP), construiu uma serraria. Sua mãe, Anna Ramos, teve uma vida dedicada à caridade. Apesar da boa condição econômica da família, Tuco preferiu traçar seu próprio caminho, dedicando-se à educação. Para se formar, estudou em Braúna, Lins e Campinas. 

Foram mais de 30 anos de docência, uma carreira que começou em escolas rurais, passando por São Paulo, Pereira Barreto, Lourdes e chegando ao posto de diretor de escolas estaduais tradicionais em Araçatuba, como Nilce Maia Souto Melo (na Polícia Mirim) e Jorge Corrêa. 

ATUANTE
No caminho, ele foi ainda jogador de futebol e teve papel atuante na formação religiosa de dezenas de frequentadores da Paróquia Santo Antônio, em Araçatuba. O prefácio da obra é de autoria do padre Charles Borg. Tuco não esconde a emoção com o livro: "Encarei como uma coisa muito boa, que me deixou muito feliz. Eu garanto que os familiares e amigos vão gostar muito". 

Momentos de emoção e superação também constam no livro, como o desabamento do Cine Rink, em Campinas, no período em que Tuco estudava na cidade. Dezenas de pessoas haviam morrido. "A gente sempre ia à matinê de domingo no Cine Rink e, nesse dia, nós ficamos na pensão. Não fomos à matinê, pois tinha a festa de uma pessoa da moradia. Aí meu pai ficou sabendo do desabamento pelo rádio e ligou imediatamente para mim. Quando ouviu minha voz, chorou muito", relembra. Das alegrias, Tuco não titubeia: "O nascimento dos filhos sempre foi uma alegria diferente". 

Com a esposa Olga de Arruda Santa Ramos, que trilhou carreira de três décadas na alfabetização também Araçatuba, Tuco teve quatro filhos. Além de Ana, Olga Cristina de Arruda Ramos Saito, Antônio Pádua de Arruda Ramos e Luís Fernando de Arruda Ramos, empresário da construção civil e candidato a prefeito em 2016 que morreu em acidente aéreo em maio deste ano. 

IDEIA
A ideia de contar sua história em livro surgiu do próprio Tuco, que, após a publicação de um trabalho da filha, que também atua na área da educação, demonstrou a vontade de ter sua trajetória escrita. "Como admiro muito meus pais, na hora acolhi a ideia", conta Ana Lúcia, que convidou seu colega da Academia Araçatubense de Letras, Arnon Gomes, para conduzir os trabalhos em equipe.

Para Gomes, conhecer a história de Tuco foi uma experiência nova e gratificante. "A cada entrevista eu conhecia um pouco mais da história e conhecia mais sobre a educação em Araçatuba. Quando a Ana me procurou para falar sobre o livro, entendi que a ideia era ser algo para a família, mas, no decorrer do trabalho, vimos que era um livro com histórias que interessam ao público, em geral", destaca o jornalista.
 
Ao falar sobre o processo de produção do livro, Ana conta que "Tuco, uma vida dedicada à educação" abrange a educação como um todo. Além do ensino propriamente dito, são exemplos de felicidade, força e fé. 

"Meu pai pegou, no início de sua carreira do Magistério, a fase em que os professores iniciavam em escolas rurais e, mesmo assim, eram muito respeitados pela sociedade. Paralelamente, cultivava sua religiosidade, que acredito ser o pilar fundamental de nossas vidas, ampliando sua família fazendo parte da 'equipe de Nossa Senhora'", diz a filha. 

No esporte, fazia parte do Braúna Futebol Clube, que recebeu as cores do São Paulo, time de coração do pai de Tuco, incentivador da criação do time . Como o time braunense se destacava, alguns de seus jogadores despertavam a atenção de outros times da região. Tuco foi um deles, que chegou a jogar no Penapolense ainda em sua fase amadora, lembrança da qual guarda com muito carinho.
 
Hoje octogenário, Tuco ainda trabalha. Presta serviços na Lomy Engenharia, empresa do filho falecido, onde é respeitado e querido pelos seus colegas. "Meu pai é um filho, marido, pai, avô, amigo, profissional e ser humano muito especial", diz Ana.

SERVIÇO
O livro “Tuco, uma vida dedicada à educação” será lançado nesta quinta-feira (9), a partir das 19h, no Empório San Dely, em Araçatuba. A entrada é franca. Os autores e o biografado farão sessão de autógrafos.


Produção do livro foi trabalho de um ano

A biografia de Tuco começou a ser escrita há aproximadamente há um ano. “Primeiro conversei com o Arnon, que já tinha trabalhado com outras biografias, e coloquei o que havia pensado. Marcamos vários encontros/entrevistas com meus pais. Depois, partimos para entrevistas com parentes, amigos e colegas de profissão. Por último, ficaram meus irmãos”, explica Ana. 

“O Arnon me ajudou a embasar historicamente a obra e também na divisão dos capítulos, com títulos que pudessem atrair a leitura. Pedi ao padre Charles para escrever o prefácio, pois convive com nossa família há muito tempo e conhece bem os meus pais.” 

A capa do livro foi produzida pela artista plástica Márcia Porto, também de Araçatuba. “Fomos surpreendidos pela Márcia, outra excelente profissional que nos presenteou com a capa.” 

BAILES 
Dentre as curiosidades apontadas por Ana, ela destaca o papel de seu pai como “cuidador das colegas nos bailes”. Diziam que, durante a juventude de Tuco em Braúna, as moças queriam ir aos bailes, algumas vezes fora da cidade. Porém, relembra ela, quando diziam que iriam acompanhadas por Tuco, os pais não titubeavam, pois ele era visto como um moço de família e muito respeitador. 

“O interessante é que, com isso, meu pai acolhia a incumbência com toda seriedade e quando percebia que os casais estavam aproveitando o som das músicas para um abraço mais apertado, ele lançava um olhar reprovativo que logo era entendido.”

SURPRESA
A morte de Luís Fernando mexeu com a estrutura do livro. “Ele dizia que tinha interesse em escrever um capítulo. Com o ocorrido, contamos, então, como foi a relação do Tuco com o seu filho caçula, que, além do campo familiar, estendeu-se ao ambiente profissional”, explica Ana. 

“O (Luís Fernando), muitas vezes, também recorria a ele (Tuco) para pedir conselhos, desabafar, recuperar a energia e sempre pedia que nossos pais orassem por ele”, diz a filha, emocionada. “Meu pai considerava o Luís Fernando muito parecido com nosso avô, pai dele, com uma grande visão empresarial.” 

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