Uma exceção na saúde pública

Atendimento odontológico é motivo de orgulho em Araçatuba

Em 1994, quando o Real era lançado como a nova moeda brasileira, três elementos constavam na propaganda do governo como algo que a população poderia consumir de forma mais intensa, diferentemente dos tempos de inflação galopante: frango, iogurte e a dentadura. 

Vinte e três anos se passaram e o atendimento à saúde bucal, pelo menos em Araçatuba, é motivo de orgulho para as autoridades. E o melhor de tudo isso: sem que, para serviços básicos de odontologia, o cidadão precise esperar longo tempo na fila ou dispor de grande quantia para ter acesso.

O atendimento odontológico se destaca em um setor que, frequentemente, é alvo de críticas: a saúde pública. Tanto é que, no ano passado, pesquisa Ibope encomendada pela Folha da Região durante a campanha eleitoral, apontou que, na avaliação de 60% dos araçatubenses, a saúde seria o maior desafio do futuro prefeito.

Num contraponto a esse dado, o serviço no PA (Pronto Atendimento) Odontológico de Araçatuba tem aprovação quase unânime da população, conforme mostrou reportagem da Folha publicada no último domingo. Segundo pesquisa recente feita pela ouvidoria municipal, 91% dos pacientes avaliam o atendimento como ótimo, enquanto 9%, bom. Não houve classificação de regular ou péssimo na sondagem.

Esse bom resultado é fortalecido por haver, na cidade, um celeiro na formação de profissionais no ramo: a FOA (Faculdade de Odontologia de Araçatuba) da Unesp, em atividade há 60 anos na cidade. Ora, para muitas especialidades médicas, a precariedade do serviço se deve justamente à falta de profissionais para prestar serviço na rede pública. Quando não, estrutura deficitária oferecida. 

Um exemplo concreto dessa situação é a oftalmologia, segmento para o qual a Justiça mandou Estado e município tomarem providências a fim de zerar a demanda em um intervalo inferior a um ano. Somente no município, há aproximadamente dez mil pessoas à espera de atendimento.

O bom resultado apontado na pesquisa deve ser comemorado, mas não virar sinônimo de comodismo. É importante que a Prefeitura procure melhorar a estrutura do PA Odontológico, iniciado no começo desta década, e valorize os profissionais que ali atuam. E ainda: divulgue-o mais à população. Os números refletem a boa qualidade de um trabalho realizado, mas não indicam que a população, como um todo, dispõe de uma saúde bucal satisfatória. Daí, a necessidade de aperfeiçoamento do serviço público. 

Não é à toa que, hoje, prefeituras desenvolvem programas de educação e prevenção bucal na primeira infância, voltados à orientar para a boa escovação. Tudo isso, para evitar uma das doenças que mais afetam a humanidade: a cárie dentária.

LINK CURTO: http://folha.fr/1.374606