Tito Damazo é professor, doutor em Letras e poeta, membro da UBE (União Brasileira de Escritores) e membro da AAL (Academia Araçatubense de Letras)

Tito Damazo: Brasis

Eta! paisão cheio de coisas muito, muito diferenciadas. Chega a pôr a gente feito parvo, perdido, a olhar suas infinitas contradições. E sabendo que não há resposta para a pergunta, que, porém, não nos larga: gente, qual será o fim disso tudo?! Pois não há fim. Há começo, recomeços, avanços, tropeços e mesmos. Muitos e sólidos mesmos. Gerações e gerações. Paus brasis. Ouros. Açúcares. Cafés. Minerais. Carnes. Soja. E o que me falta e que, por certo, deve se dar em dobras.

Gigantesco torrão incrustado na América do Sul. Muita terra. Muita água. Muita mata. Muito sol. Catástrofes naturais 0,0% álcool. Inevitável, então, o histórico clichê: aqui em se plantando, tudo dá. E aqui tudo se tem plantado. Desde trigo a carrapicho. E aqui tudo se tem abrigado. Desde bandido a mocinho. Terra pródiga. De finas mancheias a calosas mãos vazias. De mansões, coberturas a barracos e moradores de rua. 

De doutores a analfabetos funcionais. De cabrais, odebrechts, eikes batistas a zé manés, fabianos e severinos. De sobrais pintos a gilmares mendes. De teotônios vilelas a jaires bolsonaros. Embora distintos, vão assim, misturados, envolvidos na evolução/involução desta pátria pouco amada, amarga, mais destruída que construída, possuída, abusada, extorquida, mais das vezes bem-querida de fachada; mais das vezes preterida.

Por exemplo, de novo, haja vista seu sistema educacional. Desde os tempos de Pau Brasil, quando os arautos anunciavam a plenos pulmões, afirma-se, como máxima irreparável e irretocável, que a educação é a catapulta, ou a escada, ou o elevador por que sobem com sucesso aos patamares de conforto os não "abençoados" para a nobreza, a propriedade, o poder. Educar-se, apropriar-se dos saberes, dos conhecimentos técnicos, científicos, artísticos eis a "via crucis" dos não "agraciados pela sorte", ou seja, quase todo o mundo.

Ainda que com as devidas e verdadeiras ressalvas (pobreza extrema, racismos etc.), a meritocracia como uma forma de salvo conduto. Significa, pois, que educação formal, via escola, lugar apropriado para isto, se realiza por meio de estudo. Muito estudo, pesquisas, experimentações, interações etc., os quais exigem tempo, dedicação, perseverança, trabalho, enfim. Estudar é trabalho sério. 

E isso a escola pública oficial brasileira perdeu, quando se deselitizou. De lá para cá, pôs-se a "inventar" uma sucessividade de procedimentos pedagógico-educacionais que seriam capazes de afastar o fracasso de se sustentar as formas de condições de se estudar como é preciso, como é necessário (como se fez, como se fazia). 

Na verdade, tais atuações foram e são estratégias de escamoteação e ludíbrios para acobertar a incompetência e ou desvios de ações e medidas que elejam verdadeiramente este setor como vital ao bem-estar social e o pleno desenvolvimento da nação. Pois, dentre outras coisas, históricos e conhecidíssimos privilégios financeiros, salariais, sociais, residenciais, locomotores, fiscais e outros tantos terão de ser "sacrificados".

Então, continuam difundindo que mantêm vivas as exaustivas, mas incessantes atuações para resgatar a escola pública oficial (sim, porque as particulares sempre se mantiveram exigindo - cobrando alto, é claro - que estude de verdade quem quiser adquirir conhecimentos científicos que possibilitem, por exemplo, conseguir um lugar nas melhores universidades do País (que são oficiais, como se sabe bem).

E para isso, há pouco, decretaram uma nova fórmula mágica capaz de, agora, resolver o problema. Trata-se da recente aprovação do Base Nacional Comum Curricular, moderna, flexiva, de tal forma que os ensinos possam complementar etc. E também acabam de anunciar a proposta ao ensino médio. Só mantêm como exigência disciplinar Língua Portuguesa e Matemática. O mais fica a critério de cada sistema de ensino.

Pronto, agora, assim. Será a redenção da escola pública oficial. Parece que se está presenciando um pesadelo. As coisas se repetem como há mais de 50 anos! Enquanto isso, as escolas dos filhos desses todos (todos, enfatize-se) responsáveis por essas enganações estão, em ritmo acelerado, estabelecendo convênios com escolas estrangeiras para que estudem aqui e lá, na Europa, nos EUA, de forma a ir garantindo grandes possibilidades de ingressarem nas grandes universidades daqui e, sobretudo, de lá. Aos que vão para a escola pública oficial, dá-lhes BNCC.

LINK CURTO: http://folha.fr/1.393848

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