“Em Araçatuba, ninguém sabe nome de rua porque não tem a placa”, reclama Tieza

Tieza diz que volta para Câmara ainda neste ano

Secretária, que passou a comandar o Turismo, fala sobre problemas a enfrentar e planos

A secretária de Cultura e Turismo, Tieza Marques de Oliveira, garante que, ainda este ano, deve voltar para a Câmara de Araçatuba, onde tem mandato pelo PSDB. Ela se licenciou do cargo em março do ano passado para assumir a pasta de Cultura, após a saída de Marly Garcia. A tucana ainda disse que pretende, inclusive, disputar as eleições para a presidência da Casa, pois acredita ter condições para ocupar o posto. Porém, antes disso, ela precisa resolver algumas pendências. 
 
Na semana passada, a Secretaria de Turismo foi agregada à Cultura. Tieza afirmou que um dos grandes desafios da área está na comunicação, uma vez que faltam placas de nome de ruas em Araçatuba. Para a secretária, a divulgação de onde ficam os pontos turísticos da cidade já servem como publicidade. 
 
Confira trechos da entrevista que ela concedeu à Folha
 
A senhora tem alguma prioridade para o Turismo?
Araçatuba tem o propósito de se transformar em município turístico. Nós temos potencial para isso. Hoje, a cidade está numa condição de Município de Interesse Turístico. Só este fato nos leva a algumas obrigações. O rio Tietê é uma paixão. É o principal do Estado de São Paulo e assume características tão diversas em todo o seu trecho, e aqui é uma parte espetacular. Acho que esta coisa do rio Tietê e da cultura caipira pode ser bastante explorada. Penso que este é o grande desafio. Ontem (quinta-feira), estava conversando sobre a importância de não só ter os pontos turísticos, mas fazer com que sejam alvos de um programa da secretaria para dar manutenção a eles. Faz poucos dias que a gente está na Secretaria do Turismo, mas temos alguns desafios agora. Por exemplo, o Rally Poeira, que é um programa que vem da Secretaria do Esporte e da Secretaria do Turismo. Quem intermediou o Rally em Araçatuba fui eu, não como secretária da Cultura, mas porque a gente conhece o pessoal e, no fim, virei parte interessada no Turismo. Araçatuba está resgatando algumas posições no Esporte que a gente já ocupou, e tudo isso tem que estar atrelado. Estou achando interessante esta parceria da Cultura, Turismo e Esporte. Embora a Cultura, aqui em Araçatuba, tenha conseguido seu lugar próprio, ela conversa muito com o Turismo. A gente faz muitas coisas juntos. 
 
Qual é o grande desafio do Turismo?
Sempre dei muita importância à informação. Uma cidade que se propõe a ser turística precisa crescer e amadurecer a questão da comunicação. A sinalização, que está colada também à questão do Turismo, para mim, é uma das prioridades, porque em Araçatuba ninguém sabe nome de rua porque não tem a placa. Se você mora nesta rua, sabe o nome dela, mas não sabe desta, nem daquela. Fiquei uns dois anos brigando na administração anterior para eles colocarem duas placas lá na avenida da Saudade para sinalizar o Lago Azul. A sinalização é uma forma de destacar os pontos turísticos. A própria comunicação já indica uma publicidade. Já está caminhando a solicitação formalizada no governo federal de recursos para asfaltar a região do Pinheiros, principalmente por causa do Hot Planet. É um empreendimento grande, que atrai as pessoas de outras regiões, que pode crescer bastante. A questão da logística atrapalha ou favorece. Ali é uma obra cara. Não tem sistema de águas pluviais e, quando chove, é uma confusão; e não é de hoje. Estamos batalhando para viabilizar o acesso até o Hot Planet. É um empreendimento particular, mas isso não tem importância, porque está no nosso município, traz gente, divisas, movimenta o comércio e um monte de coisas. O PIT (Posto de Informações Turísticas) está bem desenhado e precisa ser implantado. A gente está chegando. Estou procurando dar encaminhamento naquilo que o pessoal já vinha fazendo. A prainha é um grande point que pode ser explorado; o pessoal estava ontem lavando as paredes do banheiro, porque criminosos vão lá para pichar. Por sorte, picharam com canetas hidrocor. Esses funcionários poderiam estar fazendo melhorias. Isso atrapalha a gente um pouco. É até um apelo que a gente faz. Araçatuba pretende ser um polo de atração turística, e uma coisa que conta muito nestes lugares é a postura da comunidade. Um lugar que acolhe o visitante tem muito mais chance de se desenvolver. Estamos loucos para dar uma organizada em Taveira, que vai receber o primeiro campeonato nacional de aeromodelismo em uma categoria importante, mas o pessoal continua jogando lixo lá. 
 
Um dos pontos turísticos de Araçatuba é o zoológico municipal. Existem planos da Prefeitura de transformá-lo em um parque. Existe algum andamento nisso por parte da administração?
Existem. Hoje, o zoológico está ligado ao Meio Ambiente e Sustentabilidade. Particularmente, acho que a gente já tinha que ter superado esta fase de bicho engaiolado. É lógico que os animais que estão lá têm uma história de cativeiro, que não adianta soltar no meio do mato, pois eles não vão sobreviver. Mas é preciso arrumar um bom destino para eles. Para mim, não tem sentido, no centro da cidade, no meio do barulho e do movimento, um zoológico deste tamanho. O local para o leão no zoológico de Bauru, se não me engano, é maior do que o zoológico de Araçatuba. Para que fazer isso com os animais? Vamos deixar os zoológicos de Bauru e Sorocaba ficarem “tops” e aqui faz um superparque temático, explorando a tecnologia. Que seja também uma coisa voltada para o esporte. Já tem uma tradição no zoológico. Eu achava um pecado quando tinha o 1º de Maio no zoológico e soltavam fogos. Acho que a Cultura, o Turismo e o Esporte podem fazer a interlocução com o zoológico, mas hoje ele é um bem ligado ao Meio Ambiente. Sei que está muito mais bem limpo, organizado e cuidado. 
 
Nos bastidores políticos falam sobre a senhora voltar para a Câmara ainda este ano. Procede?
Sim. Este ano ainda, se Deus quiser, eu retorno. Quero me candidatar à presidência da Câmara, pois acredito que tenho condições. 
 
Mas já existe alguma data para voltar?
Não posso precisar uma data, porque acho que vim para cá realizar algumas tarefas. Uma parte delas a gente já deu conta, mas tem algumas importantes. Por exemplo: o Centro Cultural Ferroviário é um desafio. A gente, agora, está começando a mostrar resultados. A própria Vila Ferroviária; acabamos de fazer um manual de preservação. Já resolvemos a situação de todos que ocupam aquelas casas. Esta é a única Vila Ferroviária com este tamanho que existe no Brasil. Precisamos aprender a explorar melhor essas coisas. Vamos fazer um levantamento de todas as fachadas e um concurso, igual ao que tem no Pelourinho (em Salvador-BA). Vai ter prêmio para quem tiver o projeto mais interessante e todas as fachadas da Vila Ferroviária vão ter que obedecer este padrão. O que nós fizemos no museu Marechal Rondon vamos fazer no museu da Imagem e do Som. O prefeito Dilador Borges (PSDB) apoia bastante as políticas transversais, pois ele vê nelas o complemento das principais. Por exemplo: quanto a Saúde ganha com a Cultura e o Esporte? A Saúde se beneficia dessas outras políticas. Quanto a Educação ganha quando você tem uma atividade intensa de Cultura, de Esporte e até de Turismo? Essas políticas em uma administração, geralmente, são relegada a segundo plano. Elas crescem na gestão dele. Nunca a gente se sente menor com outras secretarias. As nossas estão no mesmo nível.
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