Concessionárias estão preparadas para atender consumidor; Carlos Eduardo (destaque), do Procon, orienta usuário a observar rotina

Tarifa branca está em vigor, mas é preciso atenção para fazer adesão

Cobrança é vantajosa para quem consome pelo menos 500kWh e que consegue fugir de horário de pico

O consumidor que consegue evitar o uso de aparelhos elétricos nos horários de pico, geralmente do entardecer até o fim da noite, pode optar por um novo modelo de cobrança pela energia, com chances de deixar a fatura de luz mais barata. Entrou em vigor este mês a chamada tarifa branca. Quem aderir a essa modalidade pagará preços diferentes pelo uso da eletricidade em períodos e dias diferentes. Na tarifa branca, o consumo de energia nos horários distantes do pico — ou postos fora de ponta, como são chamados — custará 15% a menos do que o desembolsado no modelo atual, em Araçatuba, de acordo com a CPFL.

 
Porém, o modelo não traz as mesmas vantagens para todos os perfis de clientes, alerta o diretor do Procon-SP em Araçatuba, Carlos Eduardo Bogar Spegiorin. “Para aquela pessoa que tem uma rotina mais apertada, chega do trabalho às 18h e toma banho, lava a roupa e liga o ar-condicionado vai ser complicado”, afirma. 

Para pessoas que costumam intensificar o uso de eletrodomésticos e eletrônicos no período noturno, o enquadramento poderá significar desembolsar até um valor 70% mais alto pelo serviço do que no modelo atual, segundo a CPFL. Spegiorin aconselha o consumidor a observar os próprios hábitos antes de solicitar a alteração no modelo de cobrança da conta de luz. 

OPCIONAL
A adesão é opcional. Podem passar pela mudança os imóveis atendidos em baixa tensão (127, 220, 380 ou 440 volts) e que tenham registrado um consumo médio mensal superior a 500 kWh (quilowatt-hora) nos últimos 12 meses. Clientes de baixa renda, beneficiados pela tarifa social, e de iluminação pública não podem optar pela tarifa branca. 

Segundo o gerente de regulação econômica da CPFL Energia, Márcio Roberto, hoje o consumidor de Araçatuba paga R$ 0,40 por kWh em todo o dia, no modelo convencional. Ao aderir à tarifa, ele pagará R$ 0,34 pelo consumo fora do horário de ponta, e R$ 0,45 nos intermediários e R$ 0,68 durante o pico. 

Para os clientes da CPFL Paulista, o horário de ponta, faixa tarifária mais cara, é das 19h às 21h59, no horário de verão (ou das 18h às 20h59, nas outras épocas do ano). A cobrança intermediária valerá uma hora antes e uma hora depois do pico. Já o custo mais barato, ou seja, o posto fora de ponta, será válido das 23h às 17h59, dentro do horário de verão (ou das 22h às 16h59, em outros períodos do ano). Em feriados nacionais e finais de semana, todas as horas do dia são consideradas fora de ponta.

VIABILIDADE
Roberto explica que a tarifa branca possibilita economia ao consumidor, contanto que seja feita uma análise da própria utilização de energia diária. “Não é viável para uma família de pessoas que retornam do trabalho ou da escola no horário de ponta, abrem muito a geladeira ou utilizam o ferro elétrico, chuveiro, ar-condicionado ou aquecedor.” 
Ele diz que esses aparelhos são considerados os principais vilões da fatura por terem maior índice de consumo de energia. Porém, se o cliente puder transferir o uso dos equipamentos para outro horário, ele terá um valor reduzido pelo serviço na conta de luz, conforme Roberto.

Quem quiser aderir à tarifa branca deverá procurar a agência de atendimento da CPFL em Araçatuba, localizada na rua General Glicério, 80, Centro. O funcionamento é das 8h às 16h de segunda a sexta-feira. 

A solicitação deve ser atendida pela distribuidora em até 30 dias, de acordo com a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). A agência reguladora informa que o consumidor pode voltar à tarifa convencional, sendo atendido em até 30 dias. Depois disso, se ele pedir uma nova adesão à tarifa branca terá de esperar o prazo de 180 dias. 


Custos para troca de medidor são da distribuidora, segundo a Aneel

Segundo a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), os custos pela instalação do medidor para os cálculos da cobrança de quem aderir à tarifa branca são de responsabilidade da concessionária e gratuitos para o cliente. As concessionárias brasileiras já estão com estrutura preparada ou em processo de preparação para absorver as adesões em 2018, avalia o gerente de marketing da CAS Tecnologia, Octavio Brasil. A empresa é especializada em soluções de redes inteligentes e está presente em 20 das 26 maiores concessionárias de energia elétrica do Brasil por meio de telemetria. 

Ele lembra que em 2018, a tarifa branca é uma possibilidade apenas para consumidores atendidos por baixa tensão que utilizem até 500 kWh por mês. 
A modalidade será válida para clientes que consomem até 250 kWh mensais, em 2019, e para todos de baixa tensão, em 2020. 

“A implementação escalonada por si ajuda as concessionárias a atender o consumidor de forma gradual. Não vai gerar um grande impacto de uma vez só.” 

INTELIGENTE
A tarifa branca torna necessária a troca do medidor comum por um inteligente, que tem memória para gravar todo o consumo em cada horário, de acordo com Brasil. Todas as atividades são geridas por meio de módulos instalados na rede e que coletam dados e os armazenam em um sistema da concessionária. A distribuidora analisa as informações para fazer a cobrança de forma correta, o que oferece segurança ao consumidor. 

De acordo com ele, com a distribuição do consumo de energia para outros horários do dia, as concessionárias também poderão economizar e direcionar investimentos para outras áreas, como expansão e modernidade da rede. 

O gerente de regulação econômica da CPFL Energia, Márcio Roberto explica que em 2018 poderão aderir à tarifa branca principalmente os pequenos comércios, já que o consumo médio mensal de uma residência no País é de 250 kWh. 

Ele não indica a mudança para estabelecimentos que façam uso de refrigeradores durante o horário de pico, como açougues, supermercados e sorveterias. 
“A famílias que ainda não podem aderir este ano já podem fazer um teste em casa para ver se conseguem mudar seus hábitos de consumo para em 2019 fazer a adesão com segurança e economia.” 

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