Tarda, mas não falha

São inúmeros crimes em poucas ações e quem os cometeu deve pagar

A Justiça brasileira, apesar de lenta, vem dando bons exemplos no combate à corrupção. A prova está nas prisões dos “mensaleiros”, algo nunca antes visto ou imaginado, além de inúmeras ações por improbidade que caminham, a passos lentos, para um final feliz em prol à população.

Contra a certeza de impunidade entre os políticos, começa-se a ter sinais de que, com o auxílio da imprensa e da população, é possível acreditar num Brasil com mais igualdade e livre da corrupção que tanto denigre a imagem da nação. 

A corrupção é, ainda, a responsável pela grande desigualdade social no País, pois usurpa do povo o direito de ver seus impostos, recolhidos com tanto sacrifício, serem utilizados em benefício da coletividade. Enquanto o próprio povo continuar a dar um “jeitinho” para tudo, achando isso uma qualidade, fica até difícil cobrar que os governantes tenham uma postura diferente.

Aqueles que se aventuram a desafiar a Justiça, estão vendo seu patrimônio pagar pelos seus abusos. É o caso do prefeito afastado de Ilha Solteira, Edson Gomes (PP), que teve mais de R$ 2,2 milhões bloqueados para pagar por irregularidades cometidas enquanto estava no poder. 

O esquema incluía, aparentemente, até mesmo a criação de empresas para prestar serviços exclusivamente à Prefeitura de Ilha Solteira e que foram encerradas após o término do contrato. Além disso, tais empresas foram contratadas, segundo o Ministério Público, na quase totalidade das vezes, com dispensa de licitação, tendo seus pagamentos efetuados antes da realização do serviço contratado. Havia, inclusive, fraude a documentos juntados no Departamento de Compras da Prefeitura. São inúmeros crimes em poucas ações e quem os cometeu deve, de qualquer maneira, pagar. 

Os crimes apurados foram cometidos entre 2010 e 2011. Foram de sete a oito anos para se ter uma punição aos seus praticantes. Nesse meio tempo, houve, inclusive, a reeleição de Gomes, que não conseguiu ser empossado, ficando foragido. A lei permite foro privilegiado aos ocupantes de cargos públicos, favorecendo a corrupção. Assim como a indicação política de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) também favorece a impunidade e a troca de favores.

Ainda são poucos os casos de punição exemplar e esta, na maioria das vezes, é postergada por uma infinidade de recursos que acabam por gerar descrédito ao Judiciário. O Brasil precisa passar por algumas reformas prioritárias e urgentes. A crise moral e política da atualidade é resultado daquilo que foi feito, ou não foi feito, nas décadas passadas. É preciso acabar com privilégios, prover meios de agilizar as decisões que são cruciais ao desenvolvimento do País para que seja quebrado o ciclo de corrupção que assola o governo em todos os níveis. 

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