Sensação de insegurança

Gastos com segurança dos brasileiros alcançavam a notável cifra de R$ 91 bilhões

O simples fato de estar em um local onde o principal “produto” servido é o dinheiro já causa incômodo e medo aos cidadãos. Talvez, a existência de câmeras sirva para coibir a ação de criminosos. Talvez não ajude em nada. Mas fato é que, cada vez mais, as pessoas de bem se veem aprisionadas e vigiadas, enquanto criminosos continuam à solta, praticando delitos.

Casas, lojas, ônibus, estabelecimentos bancários, restaurantes, sorveterias, lanchonetes. Seja qual for o local, ao entrar, muitos se deparam com o famoso “sorria, você está sendo filmado” ou “ambiente monitorado”. Será que as câmeras estão mesmo filmando? Será que captam áudio também? Será que há algo escondido que pode captar imagens impróprias? Com certeza, qualquer pessoa, ao se deparar com os equipamentos, deve ter feito estas questões a si próprio.

Enquanto o poder público tenta, a qualquer custo, aumentar a segurança dos seus munícipes, o que faz o Estado em termos de mudanças nas leis? Bandidos já aprenderam, inclusive, como burlar câmeras, sistemas de segurança, alarmes e outros aparatos com os quais a população tende a se sentir menos vulnerável. Os gastos individuais em segurança aumentam, ano a ano, assim como outros que não deveriam estar na lista, pois são dever do Estado. 

No início de 2017, os gastos com segurança dos brasileiros alcançavam a notável cifra de R$ 91 bilhões, enquanto o salário mínimo subia apenas R$ 17. Outro dado alarmante: o Brasil gasta mais com segurança privada do que com a pública. Enquanto diversos setores amargam crise sem precedentes, no país que detém o 5º lugar no ranking de “custos com a violência” na América Latina, há setores rindo à toa da incompetência dos governos em proteger seus cidadãos.

A ferida é um pouco mais embaixo quando se trata desse tema. Passa pelas reestruturações da polícia e do sistema prisional, que muito vem sendo abordadas nos últimos tempos. Traz à tona a discussão de que o Estado não pode, em hipótese alguma, transferir aos particulares obrigações com a segurança. Enfim, nos leva a refletir que há casos em que leis são criadas apenas para “chover no molhado”.

A maioria dos estabelecimentos bancários, lotéricas e Correios já possui seus sistemas de monitoramento instalados e em funcionamento, até porque, visam garantir a integridade do patrimônio ali existente, dos funcionários que labutam nestes locais e, ainda, são uma maneira de tentar coibir práticas delituosas comuns. 

Estas necessidades só vêm para onerar, ainda mais, os já caríssimos serviços e os preços dos produtos que o consumidor é obrigado a engolir, ainda que tenham qualidade duvidosa. É preciso ir mais fundo, mobilizando a sociedade na cobrança por leis mais severas, que desencorajam o crime. Hoje, no Brasil, o crime compensa. 

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