Sem motivos para comemorar

O triste episódio ocorrido na rodovia Elyeser Montenegro Magalhães (SP-463), em Araçatuba, na noite de domingo (16), quando o capotamento de um carro resultou na morte de uma criança de 9 anos, é o tipo de situação que revela uma realidade escondida pelos números. As autoridades do trânsito poderiam estar comemorando a queda significante no total de mortes registradas nas rodovias da região no período compreendido entre a Sexta-feira Santa, o Sábado de Aleluia e o Domingo de Páscoa — de acordo com a Polícia Militar Rodoviária, foram sete óbitos em 2016, contra apenas um neste ano, justamente o do menino Kevin Kauan Ribeiro Alves.

Ocorre que a tragédia registrada na Elyeser reacende a discussão sobre uma combinação nociva, cujos perigos são exaustivamente apontados por policiais e meios de comunicação, em geral: álcool mais direção. As primeiras investigações apontam que o condutor do automóvel, o próprio avô da criança, estava alcoolizado. O estrago poderia ter sido pior, pois, no veículo, estavam ainda uma mulher de 46 anos e o filho dela, de 7, que tiveram ferimentos.

Dessa forma, o balanço oficial pode sinalizar uma queda na perda de vidas por acidentes nas rodovias, mas mostra que o combate à embriaguez enquanto se está dirigindo nunca deve ser cessado. Esse é um dever não só de policiais rodoviários e de concessionárias de rodovia, mas da sociedade como um todo. A notícia de casos como o de Kevin Kauan serve para alertar a população. Feriados prolongados são períodos propícios para festividades e o consumo de álcool, por tabela, tende a aumentar. 

Mais um motivo pelo qual os números da Polícia Rodoviária não dão razão para comemorações é a quantidade de acidentes sem vítimas no período. A quantidade dobrou entre o ano passado e este. Foram dez em 2017 e cinco, no ano anterior. Ou seja, outras mortes poderiam ter acontecido.

Situações como essas mostram que, cada vez mais, enfrentar o trânsito é um exercício de consciência. Na estrada, quem guia um carro, moto, ônibus ou caminhão precisa entender que está dirigindo para o outro, seja para quem ele está conduzindo ou para quem está ao seu lado, trafegando na via. Por isso, todo cuidado é pouco.

As estatísticas de trânsito, portanto, não devem produzir a sensação de comodismo. Os dados servem para fazer com que os órgãos competentes mirem ações de reforço na segurança em rodovias, bem como para a realização de campanhas de conscientização quanto ao conceito de que dirigir com prudência é um ato de cidadania.