'Saidinha'

Se a pessoa está presa, por que dar a ela o benefício da liberdade, ainda que seja por apenas sete dias?

Cem detentos, somente da região de Araçatuba, estão foragidos desde que foram liberados para passar as festas de final de ano em casa. A conhecida “saidinha” é um benefício previsto na LEP (Lei de Execuções Penais). Muitos confundem com o indulto de Natal, que coloca nas ruas, permanentemente, determinados grupos de presos e é dada por decreto presidencial. Aliás, neste ano, o indulto natalino gerou muitas polêmicas, pois foi entendido que anistiava os presos pelos esquemas de corrupção que levaram o país à bancarrota.

Verdade seja dita, nos dias em que as famílias se reúnem, acabam ficando preocupadas com os maus elementos que se encontram soltos. Páscoa, Dia das Mães, Dia dos Pais, Finados, Natal e Ano-Novo trazem sempre a mesma preocupação, a mesma manchete nos jornais e as mesmas estatísticas daqueles que saem para cometer crimes. A insegurança fica aflorada nestas datas tão especiais para a maioria dos cidadãos.

Se a pessoa está presa, por que dar a ela o benefício da liberdade, ainda que seja por apenas sete dias? Por que dar a ela direito à visita íntima, custeada pelos cidadãos de bem? Por que conceder um sem número de benefícios a cidadãos que roubaram, estupraram, mataram, furtaram, agredindo a sociedade e as pessoas de bem?

São dois trabalhos: um para prender o infrator e outro para prender o infrator novamente. São gastos duplicados, problemas duplicados, necessidade de inteligência policial — já escassa — duplicada, enfim, uma série de recursos que poderiam estar sendo empregados de uma maneira melhor.

Os cidadãos estão cansados de terem que ser aprisionados em suas casas, gastando muito com segurança privada porque o Estado não tem condições de prover o serviço de forma adequada. Sofre o povo, sofrem os profissionais da área e sofrem famílias inocentes, vítimas daqueles que utilizam de artifícios e possibilidades legais para fugir. Seria muito mais barato permitir a todos esses presos que saem durante as festas, um tipo diferente de visita neste dia. Isso, partindo do mesmo princípio da economia que deve reger todas as ações do Estado.

Fato é que, agora, a região, que já conta com um sem número de bandidos foragidos, acabou de ganhar mais cem em sua lista. A população, que já implora por segurança, tem mais cem motivos para se trancar em casa, vivendo cercada por câmeras, cercas elétricas e desarmada, enquanto os bandidos possuem arsenal bélico digno das forças militares e estão mais bem aparelhados do que a própria polícia e, até mesmo, em alguns casos, do que o exército.

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