Rosângela Pires é pedagoga, acupunturista e fundadora do Centro Cultural Espírita Reflorescer, na cidade paulista de Arujá. Descreve esta Face Espírita/10 Anos de Folha da Região

Rosângela Pires: Educação, filhos, compromissos espirituais...

Trabalho, filhos para escola, trânsito, mercado e tantos afazeres tomam conta do nosso repleto dia. A sensação de saturação e impotência é real: o que estou fazendo da minha vida? E com a vida dos meus filhos?
 
Bate a culpa, o descontentamento e uma tristeza toma o coração aflito. Mães e pais lamentam o que deixam de fazer pelos seus filhos e, então, como forma de recompensa, “agradam” com presentes e carregam na permissividade.
 
“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, obra básica da Codificação Espírita assinada por Allan Kardec, nos alerta no capítulo 14 (Instrução dos Espíritos): “ compreendei que, quando produzis um corpo, a alma que nele encarna vem do espaço para progredir; inteirai-vos dos vossos deveres e ponde todo o vosso amor em aproximar de Deus essa alma; tal a missão que vos está confiada e cuja recompensa recebereis, se fielmente a cumprirdes. Os vossos cuidados e a educação que lhe dareis auxiliarão o seu aperfeiçoamento e o seu bem-estar futuro. Lembrai-vos de que a cada pai e a cada mãe perguntará Deus: Que fizestes do filho confiado à vossa guarda?”.
 
Magnânimo compromisso em receber um Espírito a fim de conduzi-lo a Deus. Espírito com o qual temos a missão da reconciliação por meio do amor. Quem ama diz não, e também coloca limites. E é justamente isso que os nossos filhos esperam de nós.
 
Testam nossos limites a fim de pedir que os limitemos, com amor. Pedem, em entrelinhas, para lhes dar a segurança de que necessitam a fim de que se formem homens de bem com valores morais, materiais e espirituais.
 
E nós? Acuados com o dinamismo infantojuvenil da última era, nos perdemos na educação, julgando rebeldia nas crianças e nos jovens mediante as atitudes que não sabemos interpretar. Quando, na verdade, eles pedem apenas limite, amor, olhe para mim, fique comigo...
 
E tudo isso supre a correria insana pelo dinheiro, pois quanto mais nós ganhamos, mais aumentamos as nossas necessidades materiais. E mais escravos delas ficamos, quando, na verdade, sabemos que podemos viver com muito menos.
 
Assim, sem a culpa e sem a permissividade podemos elaborar programas em família, simples, mas, juntos. Vamos aos “limites” e aos “nãos” com a autoridade que o amor nos confere. Vamos ao diálogo esclarecedor. Vamos à prática do “Evangelho no Lar” como bálsamo reconfortante e instrutor da elevação moral: exemplos aos filhos da prática cristã.
 
É preciso pouco – bem pouco – para recuperarmos nossa infância, que grita por um porto seguro. É preciso equilíbrio e segurança dos pais, pautados na fé em Deus e no amor.
 
Necessária também é a prece edificante, que nos traz um norte, como muito bem apontado por Emmanuel/Chico Xavier, no livro “Vinha de luz”: “Em qualquer posição de desequilíbrio, lembra-te de que a prece pode trazer-te sugestões divinas, ampliar-te a visão espiritual e proporcionar-te consolações abundantes; todavia, para o Senhor não bastam as posições convencionais ou verbalistas. É preciso, sobretudo, ser, e não apenas ter”.
 
Que Jesus seja conosco, na missão de ensinar e aprender. E nos despedimos com Emmanuel: “Ensinar é repetir a lição com bondade e entendimento, quantas vezes forem necessárias”.
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