Rodrigo Andolfato é empresário e presidente do Conselho Deliberativo do Ilan (Instituto Liberal da Alta Noroeste)

Rodrigo Andolfato: Liberalismo austríaco

Gostaria de dedicar esse espaço, hoje, a escrever sobre o Liberalismo raiz, o tal do Liberalismo Clássico, previamente gestado em Salamanca, na Espanha, posteriormente alicerçado na escola Austríaca por Carl Menger e ultra ratificado e consolidado pelo mestre Ludwig von Mises, o qual se trata de uma definição de modelo praxeológico sobre a necessidade de privilegiar a liberdade individual sobre todas as outras “necessidades” do coletivo, exceto no que tange a manutenção do poder de polícia sobre a tutela do Estado.

Isto foi muito bem traduzido e simplificado por Frédéric Bastiat com a célebre frase: “Não esperar senão duas coisas do Estado: liberdade e segurança, e ter bem claro que não se poderia pedir mais uma terceira coisa, sob o risco de perder as outras duas”. Assim sendo, de forma muito direta, o liberalismo de verdade tem por definição o Estado Mínimo! E devemos entender que MÍNIMO, não significa nulo ou mesmo estado “eficiente” como alguns partidos novos querem ensejar.

Estado mínimo de von Mises refere-se a uma única função sob tutela do Estado, a Justiça, a qual trataria da manutenção das Liberdades Individuais e da garantia da propriedade privada. Não caberia ao Estado regular as relações comerciais, nem a participação no mercado como empresa ou como banco. É aqui que vem a questão que aflige a todos: mas nem educação? Nem saúde? Nem o Banco Central? Como viveríamos?

Pois bem, imagine um país que tivesse como contorno uma sociedade baseada em tudo que já foi estudado e defendido pela Escola Austríaca. Teríamos algo em torno de quatro vezes o poder de compra de nossos salários aumentados num primeiro instante.

Nos modelos mais conservadores de economia liberal clássica, não regulamentada, quadruplicaríamos a riqueza no bolso das pessoas! Sim, esse seria o ganho relativo a situação atual que vivemos sob o julgo de um Estado agigantado e sedento por impostos. Seríamos quatro vezes mais ricos e teríamos condições de colocar nossos filhos em escolas particulares e para serem atendidos em hospitais privados com qualidade.

O que acontece quando o Estado para de intervir, tomando dinheiro dos trabalhadores e dos empreendedores de todas as maneiras, começa-se a criar um circulo virtuoso onde a riqueza acumulada precisa ser reinvestida necessitando de mais trabalhadores e aumentando os empregos e a consequente riqueza dos cidadãos.

Mas poderá haver desigualdade? Sim! O problema não está na desigualdade e, sim, na pobreza. O Liberalismo luta pelo enriquecimento de todos e pela liberdade do mercado em tornar tudo maravilhosamente desigual, com gente muito rica e também gente muito pobre, mas que mesmo esses muito pobres ainda serão mais ricos que a maioria dos pobres no modelo coletivista.

E para aqueles que se perguntam sobre o que acontece com os “desamparados”? Deixo a dica do livro “O fim do Estado Assistencialista”, de Tom Palmer, o qual apresenta como vivíamos antes do Estado começar a retirar o direito da benemerência individual de cada um de nós, imputando tal fim nobre a ele mesmo, que não tem alma e que encarece tal distribuição benemérita de riqueza por criar despesas para gerir tal “espiritualidade elevada”. 

Por essas razões, assim concluo: “Ao Estado seu papel e tão somente ele, o da Justiça. Aos homens o direito de exercer seu papel de forma não coercitiva do ato da benemerência para com os menos afortunados”.

LINK CURTO: http://folha.fr/1.389266