Roberto César dos Santos é contador, dirigente na USE (União das Sociedades Espíritas) Regional de Araçatuba e trabalhador na Instituição Nosso Lar, na mesma cidade. Descreve essa Face Espírita/25 Anos para publicação exclusiva na Folha da Região

Roberto César dos Santos sobre as várias expressões do espiritismo

“Em verdade, em verdade vos digo: Ninguém pode ver o Reino de Deus se não nascer de novo” (João, 3:1 a 12).

Ir ao encontro do Reino de Deus, deixá-lo germinar, crescer, florescer dentro de nós: esse é o objetivo daquele que busca a felicidade. Porém, em única existência, e diante de tantos equívocos e dificuldades que encontramos no caminho, creio que seja uma tarefa muito difícil. Portanto, necessitamos de várias existências, de trabalho árduo, para remover enganos, mazelas, dores, mágoas...

No século das luzes foi oferecida a possibilidade de trabalharmos essas dificuldades, com o conhecimento que a Doutrina Espírita proporciona. Por isso, nós reverenciamos o dia 18 de abril, data de lançamento, em 1857, da primeira obra básica: “O Livro dos Espíritos”. Em 2016, são 159 anos de história desse manancial de luz, que favorece o aclarar das ideias acerca de Deus, quem somos, de onde viemos, nosso destino, os mundos que nos cercam e sobre vida em abundância, dentre tantos outros conhecimentos.

Com o surgimento dessa doutrina que nos desperta a consciência, surgiram núcleos pelo mundo todo, postos de socorro aos necessitados de todos os matizes, não somente aos que passam por dores físicas, mas também aqueles que enfrentam dores morais. As sementes de fé e esperança floresceram e continuam a florescer...

E em Araçatuba, no dia 21 de abril de 1921, nasceu a primeira casa espírita, União Espírita Paz e Caridade, popularmente mais conhecida como Abrigo Ismael, devido ao departamento de amparo a idosas fundado na década de 1930. São 95 anos oferecendo serviços de amor, fé, esperança, paz e caridade, motivo de sobra para muita felicidade que compartilhamos...

Espiritismo é manancial de luz e amor, que renova esperanças e ajuda a entender que a dor é decorrente de nossa própria incúria. Trata-se de uma doutrina libertadora e — diferente do que muitos imaginam — fonte transbordante de alegrias: a certeza de que a vida continua após a morte do corpo; a possibilidade de obtermos notícias dos que já partiram; e a alegria de saber que poderemos reparar nossos erros em nova existência.

Como tudo é sábio nas Leis Divinas, vivenciamos diversas fases em nova existência: na infância, a fragilidade requer atenção e carinho; a adolescência pode até parecer um momento complicado, porém, é oportunidade para que o espírito possa juntar sua bagagem — recebida dos pais e oriunda da primeira infância — com reminiscências dos resultados de experiências do passado, de vidas passadas. A importância desse momento nos leva a mais um motivo de alegrias...

No domingo passado, dia 17, em Auriflama, tivemos a ConeJovem 2016, cujo tema foi Ecologia. O evento destinado aos jovens, inclusive aos jovens há mais tempo, enfocou a necessidade de conscientização para o fato de que eles são os herdeiros do planeta e que, se não adotarmos medidas urgentes, não sobrará muita coisa.

Nos dias atuais, em que a violência é banalizada nos meios de comunicação, somos bombardeados por anúncios que incitam a darmos mais valor ao ter, desvalorizando assim o ser; pais perdidos acreditando que as escolas estão incumbidas de educar seus filhos, esquecendo que à escola cabe a educação formal, a elaboração do conhecimento.

Foi mais uma alegria reunirmos 120 jovens de ampla região para uma ação comum de valorização da vida e exercício de união, de unificação de propósitos: entre os mais experientes com essa força motriz gerada pela juventude. Aqueles devem ser pontes de passagem ao conhecimento, do ontem para o hoje, para que a alegria da juventude possa ser contagiosa.
Alguns podem dizer, ou até acreditar, que na Casa Espírita não cabe alegria. Ledo engano...

Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo” (capítulo 17, item 10, O Homem no Mundo) está essa mensagem: “Fostes chamados a entrar em contato com os espíritos de natureza diferente, de caracteres opostos; não choqueis nenhum daqueles com os quais vos encontrardes. Sede alegres, sede felizes, mas a alegria que dá uma boa consciência...”

Nós, espíritos encarnados, desejamos o céu. Porém, é necessário caminhar na direção dele, concretizando o Reino de Deus em nós mesmos.

O mapa pode ser encontrado nas obras básicas da Doutrina Espírita, codificada por Allan Kardec. Nesse momento, com três datas de referência que denotam a alegria citada em “O Evangelho”, a estampada na alma: dias 17, 18 e 21 de abril.

A bússola é Jesus. E esse caminhar é uma opção individual, preferencialmente com a mesma alegria estampada na alma...