Roberto César dos Santos é gestor de recursos humanos e dirigente na USE (União das Sociedades Espíritas) Regional de Araçatuba. Descreve esta Face Espírita para publicação exclusiva na Folha da Região

Roberto César dos Santos: O sentido da vida!

Todos desejam ir para o céu, mas ninguém quer morrer...

Morte! Assunto polêmico que é tabu, inclusive nos centros espíritas. E que nos convida à reflexão: qual será mesmo o sentido da vida? A razão nos faz compreender ser verdade uma frase que ouvimos recentemente: “o que dá sentido à vida é a morte! Saber que nossos dias são contados, que nosso tempo é curto”.

Se permanecêssemos encarnados na Terra, indefinidamente, com certeza não teríamos saído da infância; sequer teríamos o desenvolvimento dos dias atuais. Deus, inteligência suprema, causa primeira de todas as coisas (questão número 1 de “O Livro dos Espíritos”, codificado por Allan Kardec) estruturou nossos corpos mortais para nosso desenvolvimento intelectual e, sobretudo, moral.

O medo ou receio da morte é inato ao ser humano; saber qual será nosso futuro é algo mais sombrio ainda. Temos, portanto, três hipóteses: o nada, o céu ou o inferno, dependendo da religião adotada; ou da falta dela.

Nas religiões mais antigas, as concepções de paraíso ou punição sempre estiveram presentes. O apóstolo Paulo, escrevendo aos Hebreus (capítulo 9, versículo 27): “E aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo depois disso o juízo”.

Analisando o texto, vimos tratar-se de uma verdade, porque hoje tenho um CPF e, quando “morrer”, esta identidade morrerá comigo, sendo que serei julgado por mim mesmo, pois tenho inscrito na consciência toda a Lei de Deus (questão 621 de “O Livro dos Espíritos”).

O que nos leva à outra consideração (questão 961 da mesma obra espírita): “No momento da morte, qual o sentimento que domina o homem: a dúvida, o temor ou a esperança?”. Em resposta, os espíritos esclarecem: “A dúvida, nos céticos empedernidos; o temor, nos culpados; a esperança, nos homens de bem”. Ou seja: se estamos trabalhando pelo bem comum, não precisamos pensar em penas; receberemos a paz que estivermos oferecendo aos outros em nossa caminhada.

Se semearmos o bem, iremos vencendo a nós mesmos: vencer mais um minuto, mais uma hora, mais um dia sem competir com ninguém, sem desejar o mal, sabendo que esta é minha vida. E que compete somente a mim cuidar do meu destino; após o curso desta vida só depende de mim...

A Doutrina Espírita é rica em exemplos, em livros e depoimentos dos chamados “mortos”, que retornam e deixam seus testemunhos, para que tenhamos esperança, confiando sempre!

Conforme escrevera dona Maria João de Deus, mãe de Chico Xavier, pela mediunidade do filho: “A vida é amarga , mas é passageira. Devemos aceitar a chegada da chamada morte, assim como o dia aceita a chegada da noite, tendo confiança de que, em breve, de novo há de raiar o sol”.

Neste momento, cabe uma analogia: necessário também refletir sobre o raiar do novo ano, para que morra o homem velho, nascendo o renovado ser humano...

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