Renata Meneses Melo é especialista em demartologia

Risco de calvície é 50% maior entre homens

Especialista explica principais formas de tratamento

Socialmente aceita, mas temida por muitos, a alopecia androgenética, mais conhecida como calvície, atinge 50% mais os homens que as mulheres. Causada principalmente por fatores genéticos e hormonais, apresenta sintomas que facilitam o diagnóstico logo no início. 
 
Em entrevista à Folha da Região, a médica Renata Meneses Melo, formada pela faculdade ITPAC (Instituto Tocantinense Presidente Antônio Carlos) de Araguaína (TO), com especialização em dermatologia pelo Cemepe de Minas Gerais e membro da ABD (Academia Brasileira de Dermatologia), explica como prevenir esse problema e os tratamentos adequados para cada caso. 
 
O que é calvície? 
É um tipo de alopecia (ausência de pêlos em áreas pilosas). Trata-se de uma forma de alopecia caracterizada por perda de cabelos de forma gradual e progressiva. O tipo mais comum é a Alopecia Androgenética, que é determinada por fatores genéticos e hormonais. Existem vários sinônimos para Alopécia Androgenética: calvície, alopecia familiar, alopecia prematura ou alopecia seborreia. É a mais frequente das alopecias. Geralmente, bem tolerada nos homens. E nas mulheres, torna-se muito preocupante quando ultrapassa os limites aceitáveis. Assim, a queda de cabelo que caracteriza a Alopécia Androgenética se apresenta como fator relevante que pode levar a uma série de problemas quanto aceitação pessoal e social. 
 
Como ocorre? 
Sua ocorrência é multifatorial, levando-se em conta que envolve fatores de ordem genética e hormonal, o que resulta em queda de cabelo. 
 
Por que há uma incidência maior em homens? 
A incidência é mais nos homens pelo fato de estar diretamente associada à presença dos hormônios sexuais masculinos. Em homens portadores de Alopecia Androgenética, ocorre um aumento da ação de uma enzima (5 alfa redutase ) nos folículos pilosos o que resulta na conversão de testosterona em dihidrotestosterona (DHT), que é um metabólito da testosterona de 2 a 3 vezes mais potente que a testosterona . E é a ( DHT) que vai agir nos folículos pilosos provendo assim a sua diminuição progressiva.
 
É possível prevenir? 
Não há muito o que fazer para prevenir a Alopecia Androgenética, por se tratar de uma condição genética. Porém, o tratamento precoce pode retardar e melhorar significatimente o quadro clínico. 
 
O uso de bonés ou gorros contribuem com a calvície? 
Não. O uso de bonés e gorros não contribui com a calvície ( Alopecia Androgenética), pois sua causa é hormonal e genética. O que pode ocorrer é que o uso constante de bonés, gorros, chapéus e capacetes podem agravar algumas dermatites do couro cabeludo em virtude do calor, umidade e aumento da oleosidade o que pode resultar em queda do fio. 
 
Geralmente, qual é a faixa etária desse grupo? 
Pode iniciar em qualquer idade, após a puberdade, geralmente a partir dos 17 anos nos homens e por volta dos 25 aos 30 anos nas mulheres.
 
Qual a incidência da Alopecia Androgenética para homens e mulheres? 
É a mais frequente das alopecias, acometendo até 50% dos homens e 40% das mulheres em torno dos 50 anos de vida. 
 
Quais os sintomas? 
Trata-se de uma sequência de eventos que incluem a miniaturização visível do fio, alteração do ciclo de crescimento capilar, o que resulta em afilamento progressivo e queda definitiva dos cabelos. Nos homens, a perda de cabelo se inicia na linha frontal do couro cabeludo com entradas laterais e nas mulheres, inicia-se em região fronto parietal com cabelos mais finos e rarefação difusa (sem formar áreas de alopecia).
 
O estresse e a alimentação podem influenciar de alguma forma? 
Nem o estresse e nem a alimentação influenciam na Alopecia Androgenética. Porém, existem outras formas de alopecia que estão diretamente relacionadas a esses fatores . Como a Alopécia Areata, que está intimamente relacionada ao estresse (fatores emocionais) que atuam como agentes desencadeantes ou agravantes à qual se caracteriza por perda brusca e completa dos pelos em uma ou mais áreas do couro cabeludo. Já a alimentação influencia muito na queda de cabelo devido à carência nutricional ou seu excesso, resultando em queda difusa dos cabelos que pode resultar em perda até 600 fios por dia, lembrando que o normal é uma queda de aproximadamente cem fios por dia. Nesses casos, os tratamentos são simples e eficazes com excelentes resultados terapêuticos. 
 
Há tratamento? 
Sim, ha vários tratamentos para esse problema , incluindo desde tratamento tópico, sistêmico e cirúrgico. Sendo que o tratamento cirúrgico deve ser considerado em casos mais avançados e resistentes à terapêutica clínica. Levando-se sempre em consideração que se trata de uma doença de evolução crônica e gradativa e que possui abordagens diferentes para sexo masculino e feminino. O que será avaliado pelo seu dermatologista após análise cuidadosa é descartar outras causas de alopecias indicando, assim, o melhor tratamento. 
 
Existem efeitos colaterais dos tratamentos médicos? 
Sim . Como todo tratamento, existem efeitos colaterais, principalmente os sistêmicos , porém os efeitos colaterais são raros e cessam com interrupção da medicação.
LINK CURTO: http://folha.fr/1.355653