Reinaldo Roberto Dainese é diretor do Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Oeste do Estado de São Paulo (Sinduscon Oesp)

Reinaldo Roberto Dainese: O valor do metro quadrado

A utilização do metro quadrado como unidade de medida e comparação entre imóveis urbanos vem sendo vulgarizada a tal ponto que tem levado a interpretações equivocadas causadora de prejuízos a compradores, construtores e investidores. Há tempos, venho refletindo sobre o assunto e mais particularmente nos últimos dias, em que vi reportagens em jornais de circulação nacional. Indignou-me o tratamento dado ao assunto e o nível de desinformação dos conteúdos.
 
Para começo de conversa, é bom que se diga que, na prática, o valor de um imóvel é expresso basicamente pela multiplicação de sua área útil pelo preço do metro quadrado definido pelo mercado imobiliário para a região onde ele está situado. Com mais precisão, chega-se à composição do valor de um imóvel novo pelo custo do terreno e da obra, pela área que ocupa, por sua destinação e por suas qualidades, em que se incluem a localização, a construção, o acabamento e as benfeitorias. A tudo isso se soma, claro, o ganho de quem o construiu e vendeu.
 
Voltando à abordagem recente da grande imprensa, de forma geral, tratavam de supostas quedas nos preços do metro quadrado em diversas regiões brasileiras. Para ilustrar o texto, utilizaram-se preços médios de São Paulo, Rio de Janeiro e outros Estados. 
 
Se analisarmos o caso de São Paulo, onde o metro quadrado costuma variar de R$ 6 mil a R$ 30 mil, dependendo da região (Morumbi, Jardins, Itaquaquecetuba, Parelheiros etc.), e se considerarmos que nos últimos anos os programas sociais de habitação foram o carro-chefe da indústria da construção civil, podemos concluir, de imediato, que o tal “preço médio” não representa o que realmente está ocorrendo no mercado imobiliário.
 
Ademais, São Paulo sempre teve a capacidade de, à custa da alta procura e valorização, cobrar preços sempre elevados em relação ao custo real. Assim, para enfrentar a crise, apenas abriram mão da gordura existente, sem realmente sofrerem perdas importantes, mas fazendo uma “dieta depois da festa”, caindo na real. Portanto, a média paulistana deve ser desconsiderada, ou receber um tratamento mais adequado para a sua obtenção.
 
Vejamos o Rio. As Olimpíadas e a Copa do Mundo foram fatores primordiais nas altas brutais ocorridas nos valores dos diversos metros quadrados cariocas. Agora, curte-se a ressaca. Dessa forma, um fator externo, e não considerável no cálculo honesto de médias, destrói os dados fornecidos pela combalida economia carioca, na mão de políticos e empresários pouco confiáveis. 
 
Por isso, a exposição do tema carece de informações corretas e peca ainda mais, pois não ressalta a importância real que ela mesma continha: ao final, corretores e compradores dizem que aproveitaram o momento para intermediar negócios ou adquirir seus imóveis, numa demonstração evidente que a atividade volta ao normal e a hora do comprador chegou. Estamos voltando aos negócios honestos e como todo bom negócio, bom para ambas as partes.
 
Ah! Em tempo. Como as médias paulistanas e cariocas caíram, não obstante terem ocorrido altas em diversas outras regiões, a média brasileira fica negativa, dada a grande fatia desses dois mercados no contexto total.
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