Que a independência na Câmara não seja afetada

Apenas um vereador faz oposição a Dilador

Com praticamente a totalidade de sua composição apoiando o governo do prefeito do Dilador Borges (PSDB), a atual legislatura da Câmara de Araçatuba tem, pela frente, um velho desafio: mostrar independência. O atual chefe do Executivo e seu líder no Legislativo, Alceu Batista de Almeida Júnior (PV), garantem que a conquista da maioria — de forma nunca antes vista nos últimos 12 anos, pois apenas um parlamentar faz oposição — não ocorreu por meio de tradicionais negociatas, como o loteamento de cargos comissionados por apadrinhados políticos. Dilador fala que o diálogo e sua sinceridade fizeram diferença. Alceu, por sua vez, acredita em uma “maturidade” dos parlamentares, em geral.

Não há problema em um vereador apoiar o Executivo. Isso, por um lado, é bom para a cidade, pois, assim, o parlamento não atravanca ações governamentais capazes de melhorar a vida da população. O que não pode haver é a subserviência e o fechar os olhos para aquilo que, eventualmente, estiver de errado. Esse tipo de comportamento, lamentavelmente, norteou as relações entre Executivo e Legislativo ao longo das últimas décadas em Araçatuba.
Pode parecer lugar-comum este tipo de colocação, mas os vereadores serão bem avaliados se conseguirem cumprir o papel elementar de fiscalizar o Executivo, sem que, com isso, deixem de aprovar projetos relevantes para o desenvolvimento local.

Manter essa linha de coerência recai, principalmente, sobre aqueles parlamentares que, durante a campanha eleitoral do ano passado, apoiaram o candidato derrotado por Dilador, Luís Fernando de Arruda Ramos (PTB), e agora apoiam a atual gestão. Maioria no Legislativo, esse grupo, em geral, apoiava o ex-prefeito Cido Sério (PT), adversário histórico de Dilador. Ou seja, da noite para o dia, deixaram de lado o petismo e se juntaram ao tucanato. Fisiologismo? Questão de sobrevivência política? Dar uma “negativa” a todas estas questões, por meio de trabalho, é o que terão de fazer. 

Isso não quer dizer, por outro lado, que os vereadores eleitos na base de Dilador estejam imunes a essa avaliação. Afinal, é notório que muitos deles têm pessoas indicadas para cargos de confiança na administração municipal. Decano dos legisladores locais e, apesar de ter sido reeleito em coligações do PSDB nas últimas eleições, Arlindo Araújo (PPS) manteve sua postura de oposição, ou “independente”, como gosta de dizer.

Com um retrato bem definido, o jogo começou no Legislativo. Descrente da política, a sociedade clama pela moralidade de seus representantes. Revelar a necessária maturidade nesse aspecto é o que os vereadores atuais terão de mostrar à população, seja para contribuir com a sociedade ou para suas óbvias pretensões políticas futuras.

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