Quando se ganha sem trabalhar

Denúncia contra Cido é a prova clara do quanto os políticos dependem do velho clientelismo para ficar no poder

Depois das tantas ações por improbidade administrativa a que responde por desmandos praticados em seu governo, o ex-prefeito Cido Sério (PT) acaba de ser acionado mais uma vez por mau uso de dinheiro público. O Ministério Público quer que a Justiça o condene por ter designado uma servidora para função gratificada em um serviço inexistente na administração municipal: o Cemfica CSU (Coordenadoria do Centro Municipal de Formação Integral da Criança e do Adolescente). A indicação causou prejuízo de R$ 91.846,37, de acordo com a Promotoria de Justiça.

A quantia, que se refere ao total recebido pela servidora sem trabalhar no órgão extinto, é pequena se for feita uma comparação com outros danos causados ao erário pela gestão petista. No caso estaleiro, por exemplo, a Procuradoria da República aponta um prejuízo estimado em R$ 70 milhões por supostas fraudes ocorridas em licitações para o Estaleiro Rio Tietê. 

Entretanto, a mais nova denúncia contra o ex-prefeito vem carregada de informações, no mínimo, comprometedoras. Para processar Cido Sério, a Promotoria buscou amparo também em uma sindicância da Prefeitura, na qual a funcionária beneficiada teria afirmado que foi nomeada para o cargo inexistente por causa do apoio que deu, junto com seu marido, à campanha de Cido Sério pela reeleição, em 2012. 

Um ano depois, então, foi nomeada para o posto, ficando lá durante todo o segundo mandato do petista, encerrado no ano passado. Não há definições melhores que as usadas pelo MP para classificar o ato. Se a Justiça acatar a denúncia, ficará claro o quanto a manobra buscou satisfazer interesses particulares, em detrimento do público. Uma afronta escancarada ao princípio da moralidade.

O caso é a prova clara do quanto os políticos dependem do velho clientelismo para chegar ao e se manter no poder. Cido foi reeleito numa coligação de 17 partidos políticos, que, por sua vez, queriam “espaço” (leia-se cargos) na administração municipal. 

Com a nova ação, fica claro que o imbróglio em que entrou na Justiça pelo loteamento na administração não produziu efeito pedagógico no ex-prefeito. Cido chegou a ser afastado do cargo por ter desrespeitado decisão que o mandou demitir servidores comissionados considerados irregulares. 

Fatos como esses demonstram o nocivo modus operandi do PT, que levou o País ao colapso com a institucionalização da corrupção nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. No dito popular, muito se fala que os “podres” de um governo aparecem quando termina um mandato. Então, fica a expectativa se, em relação aos oito anos do Partido dos Trabalhadores em Araçatuba, a recente acusação foi a última ou outras hão de aparecer. O tempo dirá.

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