Quando o crime domina

Quando cidadãos de bem passam a ficar confinados, é porque viver está, literalmente, difícil

Situações como a vivida por Araçatuba, na madrugada da última segunda-feira (16), dentro do contexto em que se passa o Brasil atualmente, levam à reflexão do quanto a criminalidade já dominou todas as estruturas do País. 

A mesma ambição que leva seres humanos a entrar na política simplesmente para enriquecer também conduz cidadãos a ingressarem em outro tipo de crime, de proporções tão graves quanto o saqueio aos cofres públicos: aquele responsável por colocar vidas em risco. Foi assim que agiram os bandidos que promoveram o assalto à sede local da empresa de segurança de valores Protege e, além disso, o cerco ao quartel da Polícia Militar, a morte de um policial e a destruição de veículos e uma residência.

Tudo feito em nome do dinheiro. Não seria exagero, portanto, dizer que a prática criminosa é responsável por perpetuar a desigualdade socioeconômica no Brasil. A partir do momento em que cidadãos de bem passam a ser obrigados a ficar confinados, privados de liberdade ou organizando suas vidas para se proteger de marginais, é porque viver, literalmente, está difícil. Já não bastam os prejuízos gerados pela corrupção, como a má prestação dos serviços públicos e o desemprego? Estes, apenas para citar algumas das maiores dores de cabeça enfrentas pela população, hoje.

É por isso que os investimentos em segurança devem ser redobrados. Em tempos de crise, é dispensável recorrer a números para confirmar que um dos mercados mais crescem é o da criminalidade, pois, até mesmo os representantes da população se valem deste instrumento para tirar vantagens. 

A ineficiência no esclarecimento desses crimes representa, assim, a certeza da impunidade para quem já está nesse mundo e um estímulo a entrar para quem dele não faz parte. Afinal, é a certeza do dinheiro fácil, dispensando o trabalho. Sob o ponto de vista político, põe a própria democracia em xeque, abrindo espaço para o fortalecimento de correntes reacionárias.

Por isso, ter um judiciário, uma polícia, um ministério público e outros órgãos de fiscalização fortalecidos é fundamental para um país viver dentro das leis. Quando isso não acontece, é porque a bandalheira está institucionalizada. Não é à toa que estes órgãos, assim como os meios de comunicação independentes, constituem uma pedra no sapato de quem dedica a vida a violar leis.

Instrumentos para mudar esse quadro existem. Passam, entre outros caminhos, pelo fortalecimento das instituições, como tem buscado a Operação Lava Jato, e do voto consciente, tarefa esta que cabe, exclusivamente, à população.

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