Quando a memória é o legado

Valorizar a história do lugar onde vive é um exercício de cidadania

Com a morte do escritor e professor Célio Pinheiro, ocorrida no último domingo, Araçatuba perde mais um dos expoentes na divulgação da própria história. Ao lado da jornalista Odette Costa, que por anos foi colunista social da Folha da Região, o professor Célio, assim chamado por seus colegas, alunos e companheiros no meio literário, foi o autor do livro “História de Araçatuba”. 

Uma das principais fontes de pesquisa sobre o município, a obra completa, em 2017, 20 anos de seu lançamento. Junto com Odette, hoje nome de escola pública, Célio foi também o precursor da Academia Araçatubense de Letras.

Ficam, portanto, como seu maior legado para a cidade a preocupação com o estímulo à leitura e à valorização da memória, esta também uma preocupação de outro grande nome das letras que o município perdeu recentemente, o advogado Jorge Napoleão Xavier, falecido há menos de um ano.

A perda de referências no resgate histórico da cidade traz a expectativa de que as novas gerações deem continuidade a esse trabalho, fundamental para o desenvolvimento do processo educacional e para as lideranças que hoje aqui estão possam buscar inspirações e saber o que precisa melhorar e mudar nesta cidade.

Após a obra de Célio e Odette, que veio atualizar o conhecimento sobre o passado deste município, trazido décadas atrás pelo livro “A verdadeira História de Araçatuba”, de Fabriciano Juncal, uma série de ações foi vista no sentido de resgatar e valorizar locais, personagens, manifestações e episódios que marcaram a evolução da sede da nona região administrativa do Estado de São Paulo.

Esse trabalho está em livros sobre figuras de destaque na comunidade, monumentos erguidos em praças e avenidas e na abertura de museus, uma efervescência observada a partir de 2008, quando Araçatuba completou seu primeiro centenário. Merece também ser citada, nesse rol, a abertura de editais para projetos artísticos, desenvolvidos pela Secretaria Municipal de Cultura. 

Esse resgate que, ao mesmo tempo, enriquece a cidade culturalmente, só terá continuidade com a difusão do conhecimento. A escola, espaço onde Célio desenvolveu sua reconhecida carreira, é justamente quem tem o principal papel nesse sentido. 

Valorizar a história do lugar onde vive é, dessa forma, um exercício de cidadania. É trazer o saber para a população, mas, ao mesmo tempo, trazer, para os mais jovens, a noção de respeito ao espaço onde vivem. Estas são as reflexões que ficam quando se perde pessoas que cultuaram o passado de um localidade.

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