Para Eduardo, Sidnei e Mauro, função social e leque de opções oferecido pela atividade estão entre as vantagens

Profissão: Advogado

Relevância e amplitude de oportunidades são chamariz para novos graduandos, segundo profissionais que já atuam na área

Operações como a “Lava-Jato”, “Mensalão”, “Pontes de Papel” e “Zelotes” colocaram em destaque uma das mais antigas, procuradas e respeitadas profissões: a advocacia. Com isso, a profissão continua figurando entre as principais escolhas dos jovens que desejam cursar a primeira graduação, ou profissionais que desejam mudar de área, já que os bacharéis em direito têm uma extensa gama de oportunidades em concursos públicos.

Adepto das áreas humanas desde os bancos do colegial e afinado com a leitura e excelente escrita, Eduardo Jundi Cazerta, 24, não teve dificuldades na escolha da profissão. Unindo o apoio da família com a ideia de que “a atividade jurídica, desempenha a maior função social no desenvolvimento da sociedade (lei e ordem)”, cursou direito. Cazerta, que é especializado em direito empresarial, tributário e cível explica que a carreira é “inspiradora”, principalmente numa sociedade tão conflituosa.

Mauro Fernandes Filho, 40, teve em casa o exemplo e a inspiração que o levaram a seguir a carreira de advogado. Filho do saudoso Mauro Fernandes, ele, que sempre foi um ferrenho leitor de jornais, revistas e clássicos literários, cresceu ouvindo os relatos do pai a cerca da profissão. Ele responde pelas áreas de direito empresarial, cível e tributário.

PROCURA
Para o advogado biriguiense Elias Sprovidello, 29, o grande interesse pela área jurídica, tanto dos jovens quanto dos mais velhos, é devido ao enfoque dos meios de comunicação a atuação jurídica. “Pela repercussão dos infortúnios políticos, demonstrando um pouco mais a fundo como antes não se fazia, da atuação de cada órgão com sua parcela de responsabilidade dentro desse processo todo de busca pela justiça”, explica o advogado, que também acredita que o leque de possibilidades que a área abre no mercado de trabalho é um forte chamariz.

Sidnei Orenha Junior, 44, também com atuação na área empresarial, trabalhista e cível, classifica que apesar de o mercado de trabalho em 2018 ainda não estar plenamente recuperado do ponto de vista econômico e abalado por incertezas políticas, “para os interessados na área jurídica, está em boa fase”, já que são frequentes as vagas em concursos públicos.

Para Cazerta, hoje, “com toda essa divulgação do momento político que nosso país está vivenciando, todos estão muito mais próximos do direito. Pessoas como o Juiz Sérgio Moro e o promotor Deltan Dallagnol são os expoentes dessa nova geração e, com certeza, incentivam muitos a escolher essa área”.

Outro ponto destacado por Cazerta, é o leque que o direito proporciona, podendo o formando tanto advogar como também prestar concurso, obtendo estabilidade, que ainda é um dos principais motivos que faz com que os estudantes optem pelo direito. “O curso de direito sempre foi um dos mais escolhidos pelas pessoas que estão prestes a ingressar na graduação. Esse “boom” deve-se, sem dúvida nenhuma, à situação que o país passa”, contemporiza.

Para Fernandes Filho, “tanto a repercussão de casos de corrupção na política como a operação Laja-Jato citada na indagação, bem como a possibilidade de concursos públicos fazem com que os acadêmicos e, futuros operadores do direito carreguem consigo uma ideologia voltada para contribuir e aprimorar o sistema”.

INSPIRAÇÃO
Sprovidello não elenca nenhum nome como “ícone” dentro da área jurídica, destacando apenas que o que “se deve ter primordialmente é a ‘busca pela justiça’” e que “dentro de cada órgão, sopesando a atuação de superiores hierárquicos, adotamos algumas condutas como espelho”.

Para Fernandes Filho, “a boa referência é o reflexo para o jovem de hoje e futuro profissional amanhã”. Ele destaca como pontos de referência os ministros do Supremo Tribunal Federal Luis Roberto Barroso e Luiz Edson Fachin, ambos oriundos da advocacia, a quem considera como “catedráticos tendo obras de peso que marcaram e marcam o direito brasileiro”. Orenha também defende o nome de Barroso como fonte de sua admiração.

DIFICULDADES
Assim como qualquer profissão, e principalmente para os advogados, os primeiros passos são de dificuldade, devido a falta de credibilidade ou experiência do dia a dia da profissão.

“Talvez por uma questão de cultura enraizada em nosso país, as pessoas carregam consigo a falsa ilusão de que só bom é no segmento aquele de certa idade física ou de ramo. Quando em verdade não existe distinção alguma”, contemporiza Sprovidello.

Já Cazerta classifica a competitividade do mercado de trabalho como uma das primeiras dificuldades do jovem advogado. “A maioria das pessoas com quem converso, e até comigo, não foi diferente. Formamo-nos em uma época em que as empresas, escritórios, estão diminuindo o pessoal, e não contratando, dificultando o ingresso ao mercado”, explica.

Uma dificuldade alertada por Fernandes Filho é a de que, muitas vezes, um jovem advogado sofre com os valores irrisórios fixados na hora de cobrar seus honorários. O longo período em que se arrasta um processo pode muitas vezes levar os jovens a mudarem de área.

Apesar da competitividade, Cazerta acredita que o jovem sai da faculdade preparado para enfrentar tais dificuldades e mais recursos para se atualizar. “Ainda assim, paira certo preconceito quanto ao jovem recém-formado e sua competência para passar informações para clientes, tendo esses, preferência em advogados com um certo grau de experiência”, exemplifica.

“O candidato que aspira um cargo público, passa anos a fio estudando e, após o ingresso no cargo, passa a ter uma estabilidade ou vitaliciedade (Magistratura ou Ministério Público) que a advocacia não lhe confere”, classifica Fernandes Filho.

Uma dica dada por Orenha é que “o advogado tem que ser curioso, gostar de tecnologia, e principalmente, de estudar e continuar se atualizando. A todo o momento surgem novas informações, exigindo assim dedicação e um contínuo aperfeiçoamento”.

Ele ainda explica que o bom advogado, deverá entender de negócios e ter foco na resolução do problema, “com capacidade de se comunicar com seu cliente de forma objetiva, clara e segura; e assim transmitindo confiança plena e credibilidade a quem o contratou”.

Num caso em que quase foi preterido por sua recém-formação, ele revela: “O cliente me confidenciou que eu estava contratado devido a minha explanação. O resultado foi a absolvição tanto na esfera administrativa como no âmbito criminal. Daí, novamente, ele confessou que, a princípio, estava receoso em contratar um jovem advogado para um caso tão complexo”, finaliza, exaltando que “ser jovem dificulta um pouco, mas ao mesmo tempo, traz o ânimo do jovem na luta e ambição pelo vocábulo justiça”.

LINK CURTO: http://folha.fr/1.394333

Curta nossa fanpage e receba notícias pelo Facebook