Jane Maiolo é pós-graduada em psicopedagogia e colaboradora na Sociedade Espírita Allan Kardec, em Jales. Descreve esta Face Espírita para publicação na Folha da Região

Professor: perfil não visualizado!, por Jane Maiolo

Um dia para se comemorar: 15 de outubro! Como em todos os outros dias do ano, acordaremos no mesmo horário, pois o relógio biológico já se acostumou ao ritmo da vida de trabalho. Ninguém avisou ao corpo que neste dia ele poderia descansar um pouco mais.

Alguns profissionais que laboram na Educação abrirão os olhos, esperarão o download entre o corpo físico e o espírito, conectar-se-ão à sua realidade e, talvez, lembrarão que 15 de outubro é feriado pelo Dia do Professor.

Talvez se lembrarão dos alunos mais “custosos”, dos irônicos, dos indisciplinados, dos agressivos, dos apáticos. Quiçá, se alegrarão com as lembranças daqueles que são amáveis, sensíveis, receptivos e que sempre deixam a marca da alegria nos ambientes.
Um dia para se comemorar sempre foi esquecido, não visualizado.

O comércio, sempre tão alardeador em datas comerciais, silenciará. A sociedade sequer se mobilizará. Os pais calarão.

O profissional da Educação, porém, segue incólume na sua árdua tarefa de ensinar, orientar e conduzir as potencialidades humanas para o que é bom, belo e grandioso.
O Dia do Professor deve ser lembrado, pois na atual conjuntura sociopolítica-cultural representa os profissionais que resistem aos mais duros golpes da incompreensão, desvalorização, violência e abandono social.

Fundamental para estruturar uma nação, o professor — na concepção dos governantes — é secundário, visto o desamparo e desprestígio que a classe vivencia e pela falta de políticas públicas que poderiam reverter esta triste e deprimente realidade.

Queremos, sim, ser lembrados e visualizados, homenageados. Mas, acima de tudo, queremos ser respeitados, valorizados e reconhecidos pela sociedade, que necessita da nossa atuação profícua e permanente.

O professor é a criatura mais elástica e polivalente sobre a Terra. Ele é — ao mesmo tempo — educador, terapeuta, psicólogo, pai, mãe, irmão, tia, tio. E heroínas e heróis quase anônimos, após a tragédia na creche Gente Inocente, em Janaúba, no interior do Estado de Minas Gerais.

Quinze de outubro é realmente um dia para ser celebrado, mesmo que a nossa comemoração seja silenciosa, solitária. Porém, guardemos a certeza de que dias melhores virão.

A nossa luta não será em vão, pois o verdadeiro normalista sabe que o melhor de si ele deixa no coração do outro: não apenas os conteúdos didático-pedagógicos, mas deixa vida, caminhos, possibilidades, esperanças...

Ele segue de cabeça erguida, pois embora não seja efetivamente reconhecido, o mundo necessita dele. Vale citar Paulo Freire: “Não é no silêncio que os homens se fazem, mas, na palavra, no trabalho, na ação-reflexão”.

Feliz dia para nós, professores!

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