Francisco Moreno, voluntário de ONG ambiental, é bacharel e formação técnica ambiental

'Prezoodio', por Francisco Moreno

Visitando o Bosque Municipal de Araçatuba, domingo à tarde, você vai encontrar dezenas de pessoas e contar mais de 50 veículos ali estacionados. Quem tiver mais de 40 anos vai matar saudade ao deparar com uma toalha xadrez numa das mesas. Verá que, na sua maioria, são jovens casais com filhos de até 5 anos de idade. É ótimo para contato com a natureza. Ali dentro, ainda tem um minizoológico, com um punhado de animais enjaulados. 

Na época da campanha eleitoral, o Clube da Árvore lançou a “Carta Ambiental” para que os candidatos pudessem aderir aos compromissos com a sustentabilidade. O item 2 trazia a proposta de remanejamento do “zoológico”, haja vista a grande quantidade de vários bichos mortos nos últimos anos. O atual prefeito também assinou, tendo o tema um acirrado debate com os demais candidatos.

A questão é polêmica, pois o zoológico nem está autorizado pela Cetesb. A sugestão da ONG aponta para que os animais sejam transferidos para melhores instalações, fora da área urbana, ou remanejados (por exemplo) para o zoo de Bauru (devidamente regulamentado). O nosso espanto foi que, no terceiro mês de governo, a Prefeitura reformou a jaula dos macacos e ali os deteve, por sinal, com muito capricho e boas condições. Porém, o compromisso da Carta Ambiental foi para o vinagre. 

De fato, compreende-se que, enquanto não se efetiva a transferência, há de se zelar na melhor forma. Os diretores da ONG até aplaudem. Mas, a pergunta que fica é: está de pé ainda, o remanejamento dos animais a lugares mais apropriados? Ou não? No órgão municipal, ainda não está definida a resposta. Chegamos a propor para que os voluntários da ONG fossem guias para os visitantes. A reposta foi clara e categórica. Zoológicos no mundo todo estão diminuindo. No início do século passado, até se cobrava ingressos, pela curiosidade pelos animais exóticos. E quando o desinteresse bateu, inventaram o jogo do bicho para manutenção do Zoo do Rio de Janeiro. 

É cada vez maior o número de biólogos e cientistas contra o aprisionamento de animais. Em pesquisa cientifica em diversos zoológicos do mundo todo, verificou-se que todos os chipanzés (todos) estão com doença mental. Não se justifica ser isto um centro de entretenimento e lazer. Risadas roubadas, daquele gingado do elefante abanando orelhas ou do urso andando inquieto, podes crer, eles estão dementes e tristes. Não faz sentido você rir disso.

Por mais amor que tenha um tratador, os lugares dos bichos não são encarcerados e trancados. A questão é: o que fazer com os que já estão ali? Resta o poder público tratá-los até seu último dia, longe de visitantes humanos. Pois, apreciar é muito diferente de educar. Ali não se aprende nada. Só se zomba da desgraça animal. 

Se você permanecer na guarita da entrada vai verificar que algumas pessoas saem decepcionadas. Talvez porque esperavam mais atrações. Vai ver que foi porque olharam para os olhos dos animais, e captaram a alma do animal. 

Bom lembrar que, apesar de diferente da proposta da Carta Ambiental, a ONG vê com bons olhos a recente, restauração do espaço dos bichos. Mas torce que seja provisório. O tema deveria ser esgotado e debatido, principalmente nas audiências públicas, igual aconteceu sobre a instalação do aterro sanitário, quando a população pegou o microfone e expôs o que achava, juntamente com técnicos e ambientalistas. 

Temos que reinventar esse sistema, começando pelo nome. No futuro, quando seu neto ou bisneto perguntar: o que eram os prezzodios? A resposta será: presídio dos bichos. Se ele perguntar o porquê, a resposta será: maldade e estupidez humana.

LINK CURTO: http://tinyurl.com/k2la6d7

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