Amoêdo (ao centro), em Araçatuba, ao posar para fotos ao lado de Lohbauer e Rogério Chequer

Presidenciável do Partido Novo vê dificuldade para alianças

Em Araçatuba, Amoêdo diz que está difícil encontrar siglas para compartilhar princípios

Propondo renovação na política, a julgar pelo próprio nome, o Partido Novo tende a entrar em sua primeira disputa eleitoral, neste ano, abrindo mão de uma das práticas mais comuns da política nacional: a formação de coligações, que, em geral, são formadas com o objetivo de abocanhar maior tempo de propaganda televisiva ou benesses em um eventual governo no caso de vitória nas urnas. 

Essa tendência foi sinalizada pelo próprio pré-candidato da legenda à sucessão do presidente Michel Temer (PMDB), o engenheiro e economista João Amoêdo, que esteve em Araçatuba na última quinta-feira (25) para conversar com filiados ao Novo e empresários.

De acordo com ele, em seu estatuto, o Partido Novo permite o estabelecimento de alianças com outras agremiações partidárias, desde que haja um “alinhamento de princípios, valores e objetivos”. Enfatizou o presidenciável: “Nós nunca faremos coligações por tempo de televisão, o que tem sido muito recorrente neste sistema. Então, é muito pouco provável, dentro do atual cenário, que a gente, de fato, venha a fazer uma coligação. Caso existam partidos que estejam alinhados e que tenham os mesmos princípios e valores, não haveria problema algum”. 

MARATONA
Amoêdo estava acompanhado de outros dois pré-candidatos do partido: Rogério Chequer, que deverá concorrer ao governo do Estado, e Christian Lohbauer, que se prepara para disputar uma vaga no Senado. A visita a Araçatuba foi uma das primeiras de Amoêdo dentre uma série de cidades que planeja percorrer no período de pré-campanha. 

O objetivo é esclarecer as ideias do partido, realizar uma convocação para que as pessoas divulguem os programas do Novo, além de dar início a um trabalho de divulgação dos seus três pré-candidatos. Além das coligações, outro assunto abordado por Amoêdo em seu discurso foi a dispensa dos recursos do financiamento público de campanha, já que o partido trabalha com verba própria (oriunda de seus filiados) e a necessidade de diminuição do Estado na vida das pessoas. 

PROPOSTAS
No segmento das propostas que serão apresentadas como base do plano de governo de sua campanha, ele adianta que os três pontos principais de seu discurso são: mais liberdade econômica, equilibro nas contas públicas e educação de melhor qualidade. Tais ideias e conceitos serão discutidos através da Fundação Novo, braço do partido que tem com principais objetivos elaborar propostas para programas de governo; desenvolver estudos de políticas públicas, conduzir atividades de educação política e realizar convênios e parcerias com outras instituições no Brasil e no exterior. Atualmente, essa entidade é presidida por Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central e um dos idealizadores do Plano Real.
 
“Vamos usar a Fundação para canalizar essas ideias, essas sugestões e especialistas em determinadas áreas para podermos concentrar e começar a rascunhar esse plano de governo”, enfatizou o presidenciável. “Nós vamos ter como base os princípios e valores do Novo, que é a crença no livre mercado, a crença no indivíduo como provedor da mudança e nas liberdades individuais.” 

Sobre a Fundação, Amoêdo destacou que o espaço será “um lugar para a gente justamente coletar todas as ideias, de todas as pessoas que estão alinhadas com o Novo, independente do grupo a que pertence”. Ele ainda destaca que o partido é “um grupo muito heterogêneo de pessoas, mas todos com a mesma base de princípios e valores”.

EMPRESARIADO
Amoêdo integra o grupo de empresários que vem manifestando interesse pela política. Ele considera que o crescimento acentuado de empresários aderindo à política se deve ao fato de que “as pessoas estão entendendo que um modelo de Estado que concentra muito poder e recursos no governo não funciona”.

E reforçou: “Temos um Estado intervencionista, ineficiente, que entrega serviços públicos de péssima qualidade e cria um ambiente propício à corrupção. São justamente as nações com mais liberdade econômica que possuem melhores indicadores de qualidade de vida. Esse debate estará de fato muito presente em 2018”, declarou. Entre os empresários de destaque que aderiram ao projeto do Novo está o fundador da JR Diesel, Geraldo Rufino. 

Sobre um possível cenário político despolarizado na campanha deste ano, o pré-candidato espera que, diferentemente das vezes anteriores, “tenhamos um debate de ideias, de valores e princípios e não apenas um debate sobre pessoas”. Amoêdo finaliza dizendo que “esse maior entendimento do funcionamento do governo e o diagnóstico dos nossos problemas é a primeira etapa para fazemos as escolhas conscientes”.

LINK CURTO: http://folha.fr/1.386392