Em imagens divulgadas pela Prefeitura, situação de abandono (destaque) do museu e após a reforma

Preservando a história de Araçatuba

Além do Museu Cândido Rondon, 'Imagem e Som' receberá atenção

A Secretaria Municipal de Cultura, dando sequência às reformas propostas para os pontos culturais da cidade, deu fim à segunda parte das obras no Museu Histórico e Pedagógico "Marechal Cândido Rondon". O serviço está em andamento desde abril, quando começou o processo de descupinização.

A secretaria também se mobilizou, junto aos funcionários do museu e à ex-diretora de preservação do patrimônio artístico e cultural, Maria Lucia Pimentel Carrijo, fazendo o levantamento de todo o acervo do espaço. No processo de reforma, alguns objetos se encontravam em grave estado de preservação, o que tornou impossível a restauração.

CHOCADA
A secretária de Cultura, Tieza Lemos Marques, disse que ficou "chocada com o modo em que encontrou o acervo" e que as condições que estavam a reserva técnica e o porão mais pareciam um depósito de lixo. Com a reforma, os espaços passarão a receber visitas da população.

Ela reforça que, caso não tivesse o cuidado de fazer esses reparos e o levantamento do material, um número maior de objetos teria sido descartado. "A alma do museu é todo o seu acervo e tudo que ele contém", enfatiza a secretária, que explica que o prédio onde está instalado o espaço agrega ainda mais importância para a história da cidade.

Dentre as ações realizadas para recuperação do prédio, estão a limpeza geral e pintura do porão. O museu, que está fechado desde fevereiro deste ano, deve voltar a atender ao público assim que a reforma for finalizada. Os próximos passos no processo de restauração são restaurar algumas partes da estrutura de madeira que estão danificadas e realizar a pintura do prédio.

PLANO
Outro ponto que se encontrava em deterioração avançada era a parte elétrica, que também entra na sequência de reformas impostas pela pasta. Após isso, o plano é partir para a área externa, restaurando, inclusive, uma estátua de uma índia com seus filhos, que está instalada na entrada do espaço. Nesse quesito, a secretária adianta que novos projetos estão sendo estudados para serem testados no espaço.

Tieza conta que, em parceria com a Secretaria de Meio Ambiente, promoverá a restauração do jardim do museu. Algumas árvores como hibisco, araçá e ipês serão plantadas no entorno do espaço. Ela adianta que estão sendo realizados estudos para viabilizar a instalação de placas para a captação de energia solar.

"São projetos que estão em andamentos e, caso tenha sua viabilidade comprovada, serão implantados", salienta, reforçando que o espaço pode se tornar o embrião de uma ideia que vai crescer por outros pontos.

O processo de reforma abrange outros espaços que estão sob a alçada da secretaria, entre eles está o Museu da Imagem e Som "Alcides Mazzini". "É outra preciosidade que tem itens valiosíssimos e que vão estar disponíveis para a população", explica a secretária, que disse que o processo de mapeamento do acervo já começou.

RARIDADE
Para a Tieza, a importância da reforma, muitas vezes, não é dimensionada pelo público, que não teve acesso ao estado em que se encontrava o local. "As pessoas não conseguem entender essa ação que fizemos lá. Para mim, foi algo muito importante", enfatiza.

Dentre os objetos que estão catalogados no acervo, encontrasse um jornal que traz a publicação do decreto da Lei Áurea, que aboliu a escravidão do Brasil, em 1888. "Nós temos preciosidades dentro do nosso acervo que precisam ser mantidas e preservadas para as futuras gerações", finaliza a secretária.

ODETTE
Criado em 1966, o Museu Histórico e Pedagógico "Marechal Candido Rondon" teve como primeira secretária a então professora e colunista social Odette Costa Bodstein. Durante os anos, passou pela biblioteca municipal, pelo espaço onde hoje é a Câmara de Vereadores e também por uma casa comum na rua 15 de Novembro.

Somente em 1996 é que a Prefeitura de Araçatuba concluiu a reforma da antiga "casa do engenheiro", espaço que era residência do então engenheiro-chefe da Noroeste do Brasil (NOB). Desde sua fundação, o prédio é admirado por sua arquitetura, amplitude do jardim e pela centenária árvore que se encontra por lá. Durante vários anos, o espaço contou com a visitação de escolas de Araçatuba e região, além de ser ponto de frequente visita de público que vem para a cidade.

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