Preocupação necessária

Formação de médicos precisa vir acompanhada de melhorias na estrutura da saúde pública

Delegado superintendente adjunto do Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo), o médico Marco Túlio França, de Araçatuba, levantou uma questão importante no momento em que a cidade se prepara para receber seus primeiros cursos de medicina. Em entrevista à Folha da Região, o representante da categoria disse que vê com temor a formação de novos profissionais porque, segundo ele, não haverá residência médica suficiente para a preparação de especialistas.

De fato, esta é uma preocupação a se considerar. A primeira turma de medicina a se iniciar na cidade será no Unisalesiano (Centro Universitário Católico Auxilium). Outra instituição de ensino superior, a FEA (Fundação Educacional de Araçatuba), também deverá começar a formação em breve.

Hospital de referência regional, a Santa Casa de Araçatuba já oferece a residência. Em outubro do ano passado, abriu vagas para médicos de todo o País nas áreas de clínica médica, pediatria, ginecologia e obstetrícia, ortopedia e traumatologia, radiologia e diagnóstico por imagem. Entretanto se, de fato, mais de um curso de medicina for implantado, novos campos para a residência precisarão ser criados. 

Isso passa, evidentemente, por uma melhora na rede pública, que precisará dinamizar o leque de opções de atendimento especializado à população, hoje deficitário na região. Um expectativa futura que se cria, nesse aspecto, é com a ampliação de procedimentos cirúrgicos no AME (Ambulatório Médico de Especialidades) anunciada no final de junho deste ano.

Mas a angústia levantada por Túlio França não se resume a Araçatuba e região. O médico diz que estudos apontam para um total de 700 mil profissionais em todo o País em 2030. Esse número elevado, por outro lado, não suscita apenas a preocupação com a residência. Permite o questionamento sobre o motivo de a falta de médicos ser um problema grave em muitas cidades brasileiras. Conforme o delegado do Cremesp, o Brasil é, na atualidade, o país que mais forma médicos.

Ou seja, para a maior parte da população, a dificuldade não reside apenas em encontrar atendimento especializado; não raramente, ser atendido por um clínico-geral na rede pública, já é uma tarefa difícil.

Fica claro, assim que, se a criação de novos cursos de medicina tem o objetivo de socorrer os serviços de saúde oferecidos por Estado ou municípios, a ampliação da oferta de vagas no ensino superior precisa vir acompanhada de melhoras na estrutura de hospitais e postos.

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