Preocupação com a segurança

Os maiores prejudicados, no momento, são as pessoas inocentes

Com a lei aprovada pela Câmara de Araçatuba na última segunda-feira (5), que proíbe a instalação de empresas de transporte de valores na área urbana do município, fica a expectativa sobre a posição a ser tomada pela Protege. 

A decisão do Legislativo se deu em votação de projeto do vereador Gilberto Mantovani, o Batata (PR), que prevê a restrição. A medida foi apresentada em outubro do ano passado, quando a empresa esteve no foco do maior assalto da história da cidade.

Na oportunidade, bandidos fortemente armados explodiram o muro do prédio da companhia. E ainda atiraram contra PMs (Policiais Militares) na sede do CPI-10 (Companhia de Policiamento do Interior), que teve o acesso bloqueado por dois caminhões — os veículos, no entanto, foram incendiados.

A lei de Batata, bastante elogiada por seus colegas de parlamento, pode ser vista como uma resposta imediata a fim de preservar a segurança da população. Não bastasse toda aquela cena de terror, o “Caso Protege” resultou na morte de um policial e na destruição de residências. Enfim, cenas de guerra em Araçatuba. Passados praticamente quatro meses do episódio, estima-se que o prejuízo chegue a quase R$ 8 milhões. O dinheiro não foi recuperado. Os ladrões continuam soltos. A Protege mudou de sede. E famílias aguardam indenização. Ou seja, os maiores prejudicados, no momento, são as pessoas inocentes.

Fato é que a nova lei poderá fazer a Protege ir para a zona rural de Araçatuba ou sair da cidade. Duas situações que, em geral, não costumam ser bem-vistas por dois motivos. A primeira reside no eventual risco de insegurança para quem está acostumado com a tranquilidade do campo. A segunda, pelo fato de uma empresa de grande porte deixar o município, fenômeno capaz de afetar o recolhimento de impostos.

Porém, a segurança, nesse caso, deve ser vista como prioridade. Cada vez mais, o crime organizado tem invadido cidades do interior. Esses criminosos, sempre se valendo de forte arsenal, agem preparados para levar milhões de reais e pouco se importam a quem vão atingir. Portanto, se o Estado não dispõe de condições para conter essas organizações criminosas, que as nossas leis, então, estabeleçam mecanismos capazes de previnir a população de momentos de terror. Tirar algo que esteja na mira dos bandidos — no caso uma empresa de transporte de valores — acaba sendo uma saída, dessa forma.

É importante lembrar que, em 20 anos, foram dois roubos de grandes proporções envolvendo a Protege na cidade. Por isso, alguma resposta precisa ser dada.

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