Estratégia essencial para os pais que vão fazer as compras é pesquisar

Preço do material escolar tem variação de até 213,3%

Pesquisar valores é a dica do Procon e de lojistas

A menos de um mês do início do ano letivo nas escolas públicas, os preços de itens do material escolar de uso básico da mesma marca chegam a variar até 213,3% em Araçatuba, de acordo com levantamento realizado pela Folha da Região na quinta-feira (11), em cinco papelarias. As aulas voltam em 1º de fevereiro na rede estadual e no dia 5, na rede municipal. Pesquisar valores dos produtos é a dica do Procon-SP e de lojistas para quem quiser economizar. 

O item com a maior variação foi o caderno espiral de 96 folhas com capa dura da marca Tilibra. Dependendo da temática, o material pode custar de R$ 7,50, no caso de capas simples, até R$ 23,50, quando a capa traz personagens licenciados. A diferença é de R$ 16. A variação é menor do que a observada em pesquisa da Folha da Região em 9 de janeiro de 2017, quando o preço do mesmo produto variava de R$ 5,99 a R$ 23,90, o equivalente a 298,9%. 

Entre os outros itens analisados no levantamento, a caneta esferográfica da marca BIC teve a segunda maior variação em 2018: 150%. O valor mínimo pelo qual o produto foi encontrado é R$ 1 e o máximo, R$ 2,50. O lápis preto, também da marca BIC, tem a terceira maior diferença de preços, custando de R$ 0,70 a R$ 1,50. A variação é de 114,2%

PESQUISA
A empresária Rosangela de Sousa, proprietária de uma papelaria, no Centro de Araçatuba, aconselha os pais a verificarem os preços nas lojas do setor. Ela percebe que a prática é comum entre os clientes do estabelecimento. "Eles já vêm com a listinha de materiais, fazem o orçamento, pesquisam e depois voltam para comprar", afirma. A empresária também alerta os consumidores para verificarem quais materiais possuem em casa e podem ser reaproveitados para não fazer aquisições desnecessárias.

É a estratégia utilizada pela professora Patrícia Petenati, 40 anos, de Araçatuba, mãe de dois meninos, de 7 e 14 anos. Ela conta que deu atenção para o que sobrou dos materiais utilizados no ano anterior antes ir às compras. "Assim compro só o que é necessário mesmo". A professora também fez um orçamento em três lojas antes de optar por adquirir toda a lista em uma delas. 

MOVIMENTO
Segundo Rosangela, o movimento de compras para o ano letivo 2018 está mais aquecido que o do ano anterior, devido a uma reação da economia, e teve início antes que o comum. "Em outubro já começamos a atender. O pessoal está procurando fugir do começo do ano, quando tem de pagar impostos". 

A vendedora Susilene Torcate percebe que em 2018 os pais estão levando mais em conta a durabilidade e a qualidade dos itens adquiridos do que em outros anos. 

COLETIVAS
A proprietária da papelaria acredita que os familiares de alunos encontram vantagens nas compras coletivas de itens neutros, como pastas e papel sulfite, mas que a compra individual dá mais liberdade de escolha em outros produtos. "Uma mãe prefere escolher marcas, outra quer tudo mais barato". 

Rosangela avisa que pais que resolvem fazer compras de materiais escolares com os filhos devem estar preparado para ouvir pedidos específicos das crianças e negociar com elas. Ao mesmo tempo ela avalia que a companhia do estudante na hora da escolha o incentiva a criar expectativa para o recomeço das aulas. "É um incentivo para a criança admirar um produto escolar e educativo. Ela pega gosto".


Caixas de lápis de cor com 12 ou 24 unidades estão mais em conta

A proprietária de uma papelaria de Araçatuba Rosangela de Sousa, diz perceber que os preços dos produtos oferecidos no estabelecimento não tiveram tanta diferença em relação ao ano anterior e que em alguns casos, itens como mochilas, estojos e lápis coloridos ficaram mais baratos. 

Conforme levantamento da Folha da Região, as caixas da Faber Castell com 12 e 24 cores de lápis diferentes foram alguns dos itens com preços mais baixos em 2018 do que em 2017. Este ano, a opção com 24 unidades custa no mínimo R$ 22,90. O preço mais baixo pelo qual o produto era encontrado em 2017 era R$ 26,50. A queda foi de 13,5%. Ao contrário do valor mínimo, o preço máximo pelo qual a caixa da mesma marca é encontrada em Araçatuba teve uma ligeira alta - de R$ 38,50 para R$ 38,90. 

DÚZIA
A caixa com 12 lápis da mesma marca atualmente custa entre R$ 10,90 e R$ 17,90, ante a variação de R$ 11,50 e R$ 19,90 do ano anterior. O recuo foi de 5,2%, no caso do valor mínimo, e de 10%, no valor máximo. 

Contudo, outras opções tiveram alta. Com destaque para a caneta BIC, que embora o valor mínimo tenha caído de R$ 1,20 para R$ 1 (equivalente ao recuo de 16,6%), o valor máximo subiu de R$ 1,50 para R$ 2,50. A alta é de 66,6%. O preço mais alto pelo qual o lápis preto da mesma marca pode ser encontrado subiu 50% e o valor mínimo do caderno de espiral com capa dura e 96 folhas da marca Tilibra teve uma elevação de 25,2%.


'O barato pode sair caro', alerta Procon-SP

De acordo com o Procon-SP, uma estratégia essencial para os pais que vão fazer as compras é pesquisar. Além disso, é importante guardar o material publicitário das lojas que ajuda na análise de preços e traz informações sobre ofertas que devem ser cumpridas, como determina o Código de Defesa do Consumidor. 

O órgão aconselha evitar a compra de itens no comércio informal, já que o "barato pode sair caro". Apesar de o preço ser mais baixo, não é possível o consumidor obter nota fiscal ou verificar a procedência dos produtos. 

EMBALAGENS
O Procon-SP alerta os pais para ficarem atentos às embalagens. Colas, tintas, fitas adesivas e pinceis atômicos são exemplos de itens que devem trazer informações claras, precisas e em língua portuguesa sobre a composição, condições de armazenagem, prazo de validade e se apresentam riscos. 

O órgão lembra que a escola não pode exigir que a família compre o material no próprio estabelecimento ou escolher marcas e locais de compra - a não ser em casos de apostilas. 

TAXA
A cobrança de taxa de material escolar também é abusiva se não houver a apresentação da lista. A relação dos materiais de uso coletivo não pode incluir produtos de higiene e limpeza ou taxas para suprir despesas com água, luz e telefone, segundo a Lei n° 21.886, de 2013. As taxas de impressão e xerox também são consideradas abusivas por tratarem de serviços que são responsabilidade da instituição e já são cobrados nas mensalidades.

LINK CURTO: http://folha.fr/1.383882

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