Porto Real 2, após a festa

Agora vem responsabilidade com assistência à nova localidade

A entrega do residencial Porto Real 2, em Araçatuba, na última terça-feira (4), foi fortemente celebrada pelas lideranças políticas locais. Entre elas, estavam o prefeito Dilador Borges (PSDB), sua equipe de governo, vereadores aliados e o empresário Luís Fernando de Arruda Ramos (PTB) — dono da construtora dos imóveis e candidato derrotado pelo tucano na eleição municipal do ano passado. Encerrada a euforia da liberação às 677 famílias carentes contempladas, agora, vem a responsabilidade com a assistência à nova localidade do município.

Essa preocupação se justifica, considerando o recente histórico de reclamações de moradores de conjuntos habitacionais entregues por meio do programa federal “Minha Casa, Minha Vida”, como o Porto Real 2. As queixas residem na falta de infraestrutura básica, como serviços de saúde, escolas, pontos de ônibus e de centro comunitário. 

A falta de segurança é também um problema recorrente nos novos bairros que têm sido abertos na cidade nos últimos anos. Tão grave quanto todas essas situações são as denúncias de comercialização de imóveis. Todo esse conjunto obriga o poder público e órgãos fiscalizadores a redobrarem a atenção no novo empreendimento. 

Ciente dessa realidade, o prefeito já procurou antecipar, durante a inauguração do residencial, que uma escola na rua José Rico Belda, antes ocupada pelo Sesi, foi devolvida à administração municipal e será preparada para atender as crianças. Entretanto, não deu prazos. Espera-se, dessa forma, que os procedimentos para tal sejam céleres, de modo que mães de crianças não tenham de deixar seus trabalhos por não encontrarem vagas em creches nem mesmo fiquem sem atendimento público na área da saúde.

Entrega de moradias é algo que dá visibilidade política. Ainda mais, num contexto como o atual, em que, para a população de baixa renda, comprar um imóvel está cada vez mais difícil, fazer uma ação como essa é capaz de gerar dividendos eleitorais. Só que essa empolgação tende a cair por terra se a população não for bem atendida pelo poder público. Dilador tem, ao seu lado, uma vice, Edna Flor (PPS), que, enquanto vereadora não media esforços para cobrar do Executivo atendimento digno a moradores de conjuntos habitacionais. Hoje, estando do outro lado e com influência nos programas sociais, ela tem o papel de mostrar que, nesta gestão, o trato àquelas famílias será diferente.

Cumprir essas etapas não seria nenhum favor da administração pública, mas uma obrigação. É a própria legislação municipal que não permite a entrega de novos bairros sem a infraestrutura básica. 

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