Pai do acusado abraça o filho durante reconstituição do crime; no destaque, a vítima, Diogo Belentani

PM confessa ter atirado em filho de coronel em Araçatuba

Réu admitiu ter colocado arma na mão do estudante

O policial militar Vinícius Oliveira Coradim Alcântara, 22 anos, confessou ter atirado no estudante Diogo Belentani, 21, em crime ocorrido em 15 de julho de 2017, em Araçatuba. Ele foi ouvido durante audiência realizada pela Justiça de Araçatuba na tarde de terça-feira (9).

Até então, ele alegava que o disparo aconteceu quando tentou tomar a arma da vítima. O réu ainda admitiu ter colocado a arma na mão do estudante, que filho do então comandante interino do CPI-10 (Comando de Policiamento do Interior) de Araçatuba, tenente-coronel Armando Belentani Filho, quando ele estava caído no chão. Porém, manteve a versão de que o tiro foi acidental.

A ação tramita na 1ª Vara Criminal e, como já foram ouvidas as testemunhas de acusação e de defesa, o juiz Adeilson Ferreira Negri deve abrir o prazo de cinco dias para o Ministério Público e para a defesa se manifestarem em alegações finais. Passado esse prazo, ele decidirá se o réu irá ou não a júri popular.

De acordo com o Cartório da 1ª Vara Criminal, a audiência que estava marcada para começar às 13h30 durou mais de quatro horas. Foi colhido o depoimento de sete testemunhas de acusação, quatro de defesa e em seguida, Alcântara prestou depoimento. Ao término do interrogatório ele foi levado de volta para o presídio militar Romão Gomes, em São Paulo, onde aguarda decisão da Justiça.

CASO
O PM, a vítima e outros dois jovens estavam na casa da avó do réu naquela noite, na rua Baguaçu, em Araçatuba. Após Belentani ser atingido por um tiro disparado pela pistola do policial, um dos jovens que estava na casa telefonou para os bombeiros e contou que teria ocorrido um suicídio.

Entretanto, no local, o réu e uma testemunha mudaram a versão, alegando que a vítima tinha pegado a arma do policial, que teria disparado acidentalmente quando o réu tentou pegá-la de volta. Em depoimento à polícia na semana seguinte, os dois jovens revelaram que mentiram a pedido de Alcântara, contaram tê-lo visto com a arma em punho quando ocorreu o disparo e viram o estudante com as mãos no peito.

Durante a investigação, a polícia apurou que Alcântara e Belentani mantinham relacionamento amoroso com a mesma garota, já haviam discutido por causa dela e, na noite do homicídio, os dois trocaram mensagens com a jovem pelo aplicativo Whatsapp.

Na ocasião, ela enviou uma mensagem ofendendo o estudante e sete minutos mais tarde, o policial enviou a ela uma mensagem, na qual a chamou de "amor". O tiro fatal foi disparado cerca de meia hora depois do envio dessa mensagem do policial para a garota.

SEM DISCUSSÃO
Durante a audiência, Alcânta-ra confirmou que conversou com Belentani sobre a garota, mas alegou que em momento algum houve discussão por causa dela ou por outro motivo. Após o crime, ele foi preso em flagrante por homicídio culposo (sem intenção), pagou fiança e foi posto em liberdade. Porém, depois foi preso temporariamente e por fim, teve a prisão preventiva decretada.

O policial militar foi denunciado por disparar arma de fogo em lugar habitado; por homicídio qualificado por ter dificultado a defesa da vítima e por fraude processual, devido à cena do crime ter sido alterada antes do socorro ao estudante. Somadas, as penas podem chegar a 38 anos de prisão.

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