O advogado Eduardo Fabian Canola, de Araçatuba, é especialista em direito previdenciário

Planeje sua aposentadoria

Para jovens que moram com pais, ideal é guardar 30% do que ganhar

O sonho da aposentadoria de muita gente será postergado se a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) 287 for aprovada da forma como tramita na Câmara dos Deputados. Enviada ao Congresso, a proposta do governo estabelece um mínimo de 25 anos de contribuição e de 65 anos para se aposentar. Pelas novas regras, o segurado só receberá o valor integral do benefício, que não pode passar de R$ 5.531,31 que é o teto da Previdência, após 40 anos de contribuição. E isso se contribuir sobre esse valor em praticamente toda sua vida.
 
Para quem teme não completar esse quase meio século de trabalho, caso o pacote seja aprovado, e ficar com uma aposentadoria bem mais baixa do que o salário recebido em atividade, dou algumas dicas para o segurado organizar suas finanças a fim de complementar o benefício do INSS.
 
O primeiro parece óbvio, mas não é seguido por muita gente: comece a guardar dinheiro agora. Quanto mais cedo você começar, mais terá aos 65 anos, idade em que poderá receber a aposentadoria. O segundo é: faça um investimento de longo prazo, dinheiro parado não rende.

Para os jovens que moram com os pais e não têm filhos, o ideal é guardar 30% do que ganhar. São 10% para emergências, 10% para a previdência, 10% para os sonhos (viagens, cursos no exterior). Dessa forma, eles sempre vão ter uma vida legal e podem se aposentar com o que ganham hoje.
 
Nunca deixe seu dinheiro guardado parado. Há investimentos a partir de R$ 10. A ideia é colocar seu dinheiro em vários lugares, como nos títulos do Tesouro Direto ou em fundos de investimento. Apesar de sua popularidade, a poupança não é a mais recomendada. Isso porque seu rendimento fica muito próximo da inflação medida pelo IPCA. Uma opção é o Tesouro Direto, programa que vende títulos públicos federais pela internet. A rentabilidade dos títulos pode chegar a 14% ao ano. 
 
É possível escolher entre títulos pré-fixados (você sabe o percentual de remuneração ao aplicar: hoje em 11%) e pós-fixados (vão seguir a evolução de um indicador e você não sabe o quanto renderão). Os últimos podem estar atrelados à Selic ou ao IPCA. Eles podem ser resgatados depois de um período pré-determinado. Outra dica é aquisição de imóveis que possuem liquidez e rentabilidade.
 

Atenção ao contratar plano privado

 
Apesar de ser o plano B de muitos brasileiros, a previdência privada é considerada cara e pouco rentável. A contratação precisa ser feita com cuidado, porque pode incluir taxas altas. Um dos pontos positivos é a facilidade de escolher o tamanho e periodicidade da contribuição: R$ 100 por mês ou por ano, por exemplo. Diferentemente do INSS, não há um mínimo pré-estabelecido e o valor pode sair automaticamente da sua conta.

Entre as questões problemáticas estão as taxas, normalmente mais altas nos bancos do que nas corretoras. Preste atenção nas taxas antes de escolher um plano. As empresas costumam cobrar duas: uma de carregamento (sobre cada aporte) e outra de administração (anual). Ambas afetam quanto você vai receber no final. Se um cliente aplica R$ 100 por mês e a taxa de carregamento for de 5%, apenas R$ 95 vão para a previdência. Planos diferentes costumam ter taxas diferentes, mas a média fica entre 4% e 5%. Taxas acima de 1% são consideradas altas.
 
O rendimento da previdência privada também não é dos melhores. Ele depende da carteira de investimentos feitos pelo fundo - é assim que ele ganha dinheiro e repassa para seus participantes. Em 2016, a remuneração média anual ficou entre 7% a 9%, pouco acima da poupança. Devido ao envelhecimento da população, algumas instituições já estão tirando a opção de renda vitalícia. O mais comum é que o pagamento ocorra por dez, 15 ou 30 anos.
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