Perturbação do sossego: O cerco necessário a práticas nocivas

É fundamental a punição dos infratores

Principal porta de entrada de Araçatuba, a avenida Brasília é palco, principalmente aos sábados, de práticas que colocam em risco a vida e a saúde das pessoas. São veículos que trafegam em alta velocidade e outros que incomodam pelo som alto. Há casos em que as duas ações se aliam, juntando-se ainda o alcoolismo, o que causa perigo redobrado à população. 

Duas matérias da Folha da Região no último fim de semana revelam o necessário endurecimento da fiscalização das autoridades policiais da cidade a essas condutas. Na quinta-feira passada, duas motos que teriam sido usadas para racha na avenida Brasília foram apreendidas. No mesmo local, durante o feriado da Semana Santa, dois carros foram apreendidos por infração à legislação no que diz respeito ao som alto. Números da própria polícia confirmam o quanto esse problema é recorrente e desafia as autoridades de segurança. 

Ainda na matéria publicada no domingo, um policial que trabalha no Copom (Central de Operações Policiais Militares) disse que, numa noite de sábado, em média, 70% das reclamações são por perturbação de sossego. A última Semana Santa serve também de parâmetro para comprovar a frequência desses casos. Infrações relacionadas ao som automotivo corresponderam a quase 10% do total de autuações no período.

O que esses dados comprovam? Mostram que, apesar de recentes mudanças na legislação, fazendo doer ainda mais no bolso de quem é adepto do som alto em veículos, não foram capazes de conscientizar parte dos condutores. 

O mesmo vale para a questão dos rachas. A sucessão de tragédias nos últimos anos, não só em ruas e avenidas como em estradas, foi incapaz de inibir essa prática nociva. Em novembro do ano passado, um rapaz ficou ferido após perder o controle da moto na rodovia Deputado Roberto Rollemberg (SP-461), em Birigui. Na época, a suspeita da polícia era de que ele participava de um racha.

Neste ano, coincidentemente, chegarão a uma década de dois casos que chocaram a sociedade em Araçatuba: o acidente provocado por racha que feriu gravemente um estudante, à época com 27 anos, filho de um juiz de Direito, na avenida Pompeu de Toledo; e a morte de três pessoas atropeladas por um promotor de Justiça que dirigia bêbado na rodovia Elyeser Montenegro Magalhães (SP-463).

As campanhas de conscientização são necessárias, mas, diante da persistência dos episódios, ações mais efetivas no sentido de punir esses infratores são fundamentais. A indesejada combinação de som alto como velocidade acima dos limites traz prejuízos incalculáveis. Além do risco à vida, intimida as pessoas de sair de casa, traz danos aos patrimônios público e privado, prejudica atividades comerciais e afeta a saúde.

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