Pelo menos o arroz e o feijão

Afinal, quem não quer comprar um televisor novo ou trocar o guarda-roupa?

Nos idos de 2015 e 2016, quando a crise econômica brasileira estava em seus dias mais tenebrosos, difícil era até mesmo comprar itens básicos da alimentação. Mas, ao que tudo indica, o cenário dá sinais de melhora. 

Produtos considerados essenciais na alimentação do brasileiro encerraram 2017 com a maior retração dos últimos 23 anos. O Índice de Preços dos Supermercados, calculado pela Apas/Fipe (Associação Paulista dos Supermercados/Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), terminou o ano passado com recuo de 2,3%.

A queda é provocada, principalmente, pela baixa nos preços do arroz, feijão e do leite longa vida. Se fosse num passado não tão distante assim, esse tipo de notícia não teria tanto impacto como nos dias atuais. 

Apesar de o discurso governista ser de que “o pior já passou”, o Brasil tem, ao longo do ano eleitoral de 2018, o duro desafio de resolver um grande problema: o desemprego, que afeta mais de 12 milhões de pessoas. Esta, certamente, é uma das justificativas para que as pessoas tenham mais cautela no consumo. Afinal, a própria pesquisa que apontou baixa no arroz, feijão e leite sinalizou também que o “freio” do consumidor foi uma das causas para a deflação. Ora, com o consumo em baixa, baratear e evitar estoques viram estratégias dos supermercados para poder venderem.

Com os brasileiros, em sua maioria, podendo garantir o essencial às suas famílias, a questão, a partir de agora, passa a ser: como melhorar o poder de compra da população? A resposta a esta questão, obviamente, passa pela retomada na geração de emprego. Isso, os números mostram. A indústria, na região de Araçatuba, também ao longo de 2017, teve a segunda maior queda na abertura de postos de trabalho de todo o Estado de São Paulo. Sendo assim, fica difícil ir além do trivial em relação ao consumo.

A morosidade na recuperação do mercado de trabalho afeta a economia como um todo. Os números também têm mostrado a dificuldade de outros segmentos do comércio em reagir justamente porque o poder de compra da população caiu. São os casos de eletrodomésticos e móveis, por exemplo. Afinal, quem não quer comprar um televisor nova ou trocar o guarda-roupa? Certamente, a maioria. O mês de janeiro, com as promoções das grandes lojas de rede, é ótimo para isso. Entretanto, para esse investimento, é preciso ter a garantia de que, lá na frente, não vai faltar. Daí, o grosso da população preferir gastar apenas para poder comer.

Fica, assim, a expectativa de que, com um ano em que se espera mudanças na política, nossos governantes criem condições para mudar esse cenário e a população possa, dessa forma, investir em melhoras na qualidade de vida.

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