Gonçalves foi encaminhado para a cadeia de Penápolis, de onde seria transferido para Riolândia

Pedreiro acusado de matar mulher se entrega à polícia

O pedreiro Ricardo de Lima Gonçalves, de 31 anos, de Araçatuba, apresentou-se à Polícia Civil na manhã desta segunda-feira (7), dez dias após ter a prisão preventiva decretada pela Justiça. Ele é acusado de matar a facadas a ex-companheira, Andresa de Oliveira Lopes, 33, em 21 de setembro ano passado.

A defesa alega que Gonçalves agiu sob forte emoção, estava embriagado e tem poucas recordações do dia do crime, além de fazer tratamento psicológico com administração de medicamentos. Acompanhado do advogado Jaime Bianchi dos Santos, o pedreiro compareceu à central de flagrantes às 9h30.

Um boletim de ocorrência foi registrado e Gonçalves encaminhado para a cadeia de Penápolis, de onde seria transferido para a cadeia de Riolândia, aguardando julgamento. O acusado não foi encontrado pela polícia nos dois endereços informados no dia seguinte ao crime, quando confessou ter matado Andresa.

DEFESA
O advogado alegou nesta segunda-feira que o pedreiro não estava foragido e que apenas não estava nos imóveis - um em Araçatuba e outro em Glicério - no momento em que o mandado foi cumprido. Além disso, Santos disse que o cliente havia informado dois telefones para que fosse localizado e que continuava morando em Araçatuba e em Glicério, onde tinha alguns serviços para cumprir. Ele também tentava um lote em um assentamento da cidade, o que justificaria o fato de nem sempre estar nos endereços citados.

"Ele já admitiu o crime, mas não consegue explicar a dinâmica dos fatos e como chegou a tamanha gravidade", declara o advogado. Segundo ele, Gonçalves diz que só se lembra de estar discutindo com Andresa e veio a recobrar os sentidos quando já estava na zona rural ensanguentado, desconhecendo a dimensão e extensão dos danos. O advogado acredita que o crime foi resultado da associação de diversos fatores: psicológicos, bebida, medicamentos, ansiedade, estar ou não contaminado por HIV e provocação de Andressa.

TRATAMENTO
Santos ressalta que o acusado fazia tratamento psicológico em um posto de saúde da cidade e que é uma pessoa trabalhadora, do bem e sabe do crime que cometeu, por isso foi orientado a se apresentar. O trabalho de defesa visará minimizar a pena e tirar as qualificadoras do crime.

Conforme a denúncia do Ministério Público, Gonçalves e Andressa conviveram por cinco anos e passaram o mesmo período separados. Contudo, no ano passado, voltaram a se encontrar e tiveram relação sexual. Depois, um amigo da mulher disse ao pedreiro que ela seria portadora do vírus HIV. No dia 21 de setembro, o pedreiro foi até a casa de Andresa e ficou a aguardando.

DOENÇA
Quando a mulher chegou, questionou-a sobre a doença. Em seguida, passou a desferir várias facadas, atingindo-a na face, coluna, clavículas, mamas, braços, ombros, axilas, cotovelos e antebraços. O laudo do exame necroscópico não apontou a quantidade exata de perfurações no corpo da vítima, mas mostrou que a cabeça de Andresa ficou presa ao corpo apenas por uma parte da pele cervical e musculatura paravertebral esquerdas.

Na denúncia, o promotor de Justiça Adelmo Pinho classifica que Gonçalves matou Andresa por motivo fútil, pois agiu por vingança ao acreditar que ela havia lhe transmitido, voluntariamente, o vírus da aids, doença da qual ela era, supostamente, portadora, o que deverá ser provado em novo laudo pedido pelo MP; utilizado meio cruel, quase decepando a cabeça da vítima e por ser mulher, o que caracteriza violência doméstica e familiar.

Pelo homicídio triplamente qualificado, o pedreiro deverá ir a júri popular.

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