Para ter educação

A leitura proporciona melhor entendimento da vida

Enquanto uma menina de 9 anos dá exemplo de educação, vândalos invadem, depredam e furtam o Cemitério da Consolação, em Birigui. Mas o que estes dois fatos têm em comum? Oportunidades. A prática de Evelyn, que leu 74 títulos literários em nove meses, durante a realização de um projeto de leitura de escola particular de Araçatuba, é apenas uma das muitas maneiras de garantir acesso a um melhor aprendizado. 

A leitura proporciona um melhor entendimento da vida, vocabulário mais amplo, alicerça fala e escrita, resulta em raciocínio mais coeso e sempre traz exemplos de superação, principalmente nesta faixa etária, que podem, muito bem, fazer parte da formação moral.

Vândalos são pessoas que, geralmente, não primaram pela educação de qualidade, em grande parte dos casos, por falta de oportunidades ou descaminho mesmo. Enquanto nas férias muitas crianças ficam largadas nas ruas, soltando pipas com cerol, colocando em risco a própria vida e de terceiros, meninas como Evelyn continuam crescendo, em tamanho e conhecimento.

Se no Brasil a educação fosse prioridade para o governo, a história de muitos desses adolescentes que entram para o mundo do crime poderia ser diferente. Em países desenvolvidos, a formação profissional e de caráter faz parte das aulas de história, negócios, linguagem, dentre outras, e dá oportunidade para que todos, independentemente da classe social, possam se beneficiar do modelo de estudo escolhido ou, ainda, serem direcionados de acordo com seus anseios futuros.

De que adianta a escola preparar para o vestibular quando a maior parte dos alunos na rede pública, por exemplo, não terá acesso a universidades, seja pelo preço ou qualidade duvidosa do ensino brasileiro, onde os professores são desvalorizados por pais e alunos, em detrimento de condutas incorretas, agressões ou da obrigatoriedade de aprovação imposta pelo Estado.

Para o Brasil ser, de fato, "um País de todos", o caminho é longo e árduo, e atos de vandalismo puro e simples não podem mais ser admitidos. Um povo que não preserva sua memória, saqueando cemitérios, cometendo abusos, sempre tentando dar um “jeitinho” para resolver os problemas ou burlando leis, não conseguirá ser respeitado por ninguém.

Se não for investido dinheiro, condizente, na educação, a velha política do “pão e circo” continuará reinando, enquanto um povo sem educação, em todos os sentidos, viverá padecendo em meio a tantas riquezas e recursos desviados em proveito individual. Vandalizar um cemitério, ou qualquer outro bem público, é o mesmo que rasgar dinheiro, pois os recursos sairão do bolso de cada um dos contribuintes. 

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