Neira afirma que todo trabalho da polícia não pode ser avaliado apenas pelo roubo à Protege

Para promotor, é preciso investir em inteligência para evitar assaltos

Quadrilha que roubou Protege foi favorecida pelo tempo de planejar o crime

O promotor de Justiça Marcelo Sorrentino Neira, que atua no Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público em Araçatuba, entende que é preciso investir mais em inteligência e investigação para evitar assaltos como o praticado pela quadrilha que explodiu a sede da empresa de transporte de valores Protege, na madrugada da última segunda-feira (16).

Ele comenta que todo trabalho da polícia não pode ser avaliado apenas por esse caso. Durante a ação, os bandidos bloquearam o acesso ao CPI-10 (Comando de Policiamento do Interior) e atiraram contra os policiais, que ficaram impossibilitados de impedir o assalto.

FATORES
Neira explica que um dos fatores que favoreceram a quadrilha foi o tempo para planejar o crime, pois os ladrões buscaram o fator surpresa. Como não foram pegos em flagrante, dificulta a investigação identificá-los. Por isso, reafirma que é preciso aprimorar os meios de inteligência e investigação para impedir esse tipo de ação antes que ela aconteça. 

“O Estado precisa cada vez mais investir nos setores de inteligência e investigação, para que as informações sobre o planejamento de crimes cheguem a quem trabalha nessas áreas antes que eles ocorram, evitando assim, vítimas”, argumenta.
Na visão do promotor, o fato de Araçatuba ser uma cidade do interior não facilitou a ação dos criminosos. 

Ele comenta que toda cidade tem banco e que os grandes centros vêm sendo alvo desse tipo de ação, que também ocorrem nas cidades pequenas, pois o dinheiro atrai os criminosos. “Eles não escolhem o alvo pelo tamanho ou localização da cidade. Eles fazem o planejamento durante meses ou até anos, com base vários fatores, entre eles, o dinheiro”, diz.

ALVOS
Neira lembra que outras cidades do País foram alvos de ataques a empresas de transporte de valores e as ações foram praticadas no mesmo modo de atuação dos marginais que agiram em Araçatuba, ou seja, tentando anular a ação da polícia enquanto o roubo acontecia.

Ele argumenta, ainda, que nenhum desses assaltos foi frustrado por não haver dinheiro nos locais invadidos, porque houve planejamento dos bandidos.

FACILIDADE
No caso de Araçatuba, o fato de a empresa vítima ficar próxima à sede da Polícia Militar poder ter sido fator de benefício para a quadrilha, na opinião do promotor, pois os assaltantes se concentraram no mesmo perímetro. Enquanto parte da quadrilha atacava a polícia, outros bandidos explodiam o muro da empresa e carregavam o dinheiro roubado. 

“A gente costuma dizer que o ladrão quer moleza. Ele não quer enfrentar dificuldades nem riscos e o planejamento passa por esses fatores”, conta. Por fim, Neira conta que o Gaeco já desenvolveu várias ações em parceira com as polícias, que, segundo ele, estão sim preparadas para fazer frente a esse tipo de ação, com armamento, treinamento e estrutura para isso.

“Se engana quem pensa que a polícia está desaparelhada. Época de policial com revólver na cinta ficou para trás faz muito tempo. Hoje eles andam com fuzis iguais ou mais potentes do que os utilizados pelos bandidos. Tudo depende de informações tanto anterior como posterior ao crime, para a investigação poder identificar e prender os autores dessas atrocidades”, conclui.

LINK CURTO: http://folha.fr/1.369201