Projeto, elaborado por Fernanda Machado, será feito em parceria com academia de letras

Para formar jovens escritores

Academia Araçatubense de Letras abre as portas para a juventude

A capacitação de novos escritores já é uma preocupação da AAL (Academia Araçatubense de Letras), por meio de seu grupo experimental. Agora, em novo formato, a entidade promoverá o Programa de Formação do Jovem Escritor. O objetivo é ajudar alunos do ensino médio a aprimorar suas habilidades de escrita e auxiliar professores a levarem os jovens à prática da produção textual.

O projeto foi desenvolvido pela cineasta e escritora Fernanda Machado, que, logo, obteve a aprovação da academia de letras. O interesse pelo programa ficou claro em uma enquete feita na Semana Literária. Após as palestras “Somos Todos Heróis”, ministrada por Fernanda, cerca de 50% dos alunos responderam que gostariam de se inserir no mundo literário.

A primeira fase do programa terá duração de seis meses e acontecerá às quartas-feiras, das 16h às 18h, na sede da Academia Araçatubense de Letras: Rua Joaquim Nabuco, 210. São 15 vagas abertas e dez de cadastro de reserva. Para se inscrever, é necessário ter de 13 a 17 anos.

As inscrições poderão ser feitas na sede da academia a partir de 20 de janeiro, das 14h às 17h, por meio do preenchimento de formulário disponível na recepção da instituição. 

DÚVIDAS
Segundo a escritora, que tem formação em Letras, haverá espaço para que alunos tirem dúvidas sobre a língua portuguesa também. O maior objetivo, porém, é desenvolver a técnica e a coragem de expressão literária, a fim de que “encontrem a própria voz”. Ao final do programa semestral, um livro com as peças literárias dos alunos será publicado. Outra ideia é a edição de um blog. Na primeira fase do projeto, 15 vagas estão disponíveis para alunos da rede pública.

“É preciso que haja projeto editorial para o aluno visualizar e trabalhar pelo resultado final, que, no caso dessa etapa, será o livro ‘Somos Todos Heróis’. Cada aluno terá sua história publicada, motivado pela ‘Jornada do Herói’, conceito de storytelling criado por Joseph Campbell e usado para contar histórias da Disney”, explica Fernanda.

O título, que, segundo a escritora, tem “cunho motivacional”, serve para que isso seja um estímulo a mais aos jovens que se dedicaram à atividade. “Quando organizamos nossa própria mitologia de vida, identificamos que somos os heróis de nossa própria história. Quando não se está sob um sistema regido por ‘notas’ ou um currículo rígido, a motivação é um ponto central”, define.

Com duração de duas horas semanais, as aulas serão realizadas na sede da academia, duas vezes por semana. Os alunos precisarão ter 90% de presença durante o semestre para poder se manter no programa.

OBJETIVOS
“Conseguimos grandes resultados em habilidades literárias quando temos atenção individualizada, ou seja, quando o escritor é acompanhado de perto. O que vemos na maioria das escolas públicas são salas de aula com grande número de alunos e um currículo obrigatório denso, defasado e que não contempla novas tecnologias. Visamos preencher as lacunas no processo de ensino-aprendizagem”, analisa Fernanda, que também destaca o fato de que, dificilmente, o professor tem tempo e recurso para atender individualmente cada aluno.

Outro fator que manifesta a vontade da escritora em lançar esse projeto é moldar os jovens para o futuro como um todo. “Jovens que entram no mercado de trabalho sabendo ler e escrever melhor possuem chances múltiplas de prosperidade. A clareza e objetividade de um e-mail, a sedução de uma carta de apresentação, o engajamento de um discurso, tudo isso brota de um gênio literário”, destaca ela. Para Fernanda, “a expressão literária é uma das armas mais poderosas que uma pessoa pode ter”. E ressalta: “Quando sabemos transformar as experiências difíceis da vida em algo belo, que é a artimanha do escritor, vivemos uma vida de constante redenção”.

Na primeira etapa,, o processo de formação do imaginário, muito rico nessa faixa etária, será explorado pela educadora. “Não há literatura nem sonho algum sem o exercício da imaginação”, explica Fernanda. Ela reforça que trará elementos “que agucem a imaginação dos alunos”. O grupo irá buscar apoio público e privado para aprimorar o projeto ao longo dos anos.

CAMPBELL
A escolha da obra do mitologista e escritor Joseph John Campbell ocorreu devido à sua expressividade no mundo mitológico. “Ele diz que há mais semelhanças nos mitos tradicionais ao redor do mundo do que diferenças. O ser humano não vive sem as mitologias. Os adolescentes, por exemplo, carecem de mitologias que os ajudem a enfrentar a fase de transição para a vida adulta”, exalta.

Para ela, o trabalho do Campbell dará um embasamento para construir a jornada mitológica do Herói. “Sem dúvida, traremos autores nacionais, inclusive da Academia Araçatubense de Letras”, e finaliza, refletindo que “o principal é que os próprios jovens se reconheçam como autores nacionais ao final do projeto”.

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