Pós-votação do IPTU

Apesar de aumento aprovado pela Câmara, desgaste político de Dilador não foi estancado

Está claro que o desfecho da votação do aumento do IPTU não estancou os efeitos do desgaste político provocado pela medida mais polêmica tomada, até o momento, pelo prefeito Dilador Borges (PSDB). Após dois recuos em relação à proposta inicial — de 45%, caiu para 20%, indo, por fim, a 9,29% — o chefe do Executivo não conseguiu unir o grupo de parlamentares que, em tese, lhe dá apoio na Câmara.

A prova está no fato de que três deles — Lucas Zanatta (PV) e os peemedebistas Cido Saraiva e Flávio Salatino — votaram contra o reajuste. O outro voto contrário partiu de Arlindo Araújo (PPS), único parlamentar declaradamente de oposição à atual gestão no Legislativo de Araçatuba.

Hoje, Dilador e seu grupo político estão no poder e, durante todo o período em que a alta do imposto esteve em discussão no meio político local, tiveram que lidar com forte pressão popular. Até o ano passado, quando faziam oposição ao então prefeito Cido Sério (PT), era o contrário. Muita gente que hoje está no governo fazia o coro a manifestações contra a corrupção e a má prestação de serviços públicos. No entanto, a polêmica do IPTU mostrou o quanto ainda é falho o diálogo da atual gestão com a sociedade.

Uma audiência pública para discutir o tema só ocorreu após a primeira votação do reajuste, com o índice ainda na casa dos 20%, ter sido adiada numa sessão marcada pela tensão, em que policiais militares e guardas municipais precisaram entrar no plenário para evitar o pior. 

Mesmo assim, a audiência foi pouco esclarecedora. Para muitos observadores dos bastidores políticos, o aumento aprovado de 9,29%, em nada, muda a proposta dos 20% anteriormente apresentada pelo governo tucano. Isso porque a aprovação do texto na última segunda-feira veio acompanhada da redução de 15% para 5% no desconto para contribuintes que estão em dia com a principal fonte de arrecadação do município. Esta medida, aliás, foi alvo de críticas por parte do vereador Arlindo Araújo, para quem representa um desestímulo àqueles que costumam ficar adimplentes.

A torcida é para que esse “desânimo” não ocorra, pois, se assim acontecer, perderá Araçatuba, que se vê na necessidade de aumentar sua arrecadação. O governo não precisa agradar a população com medidas populistas, como ficar anos sem aplicar um reajuste mínimo nos impostos. 

Uma boa administração pública precisa entender que o diálogo com a sociedade é fundamental para convencê-la da importância de ser austero com as finanças, algo que nem sempre rende frutos político-eleitoreiros. Por fim, é válido dizer que o aumento do IPTU só aumenta a responsabilidade do governo Dilador em promover melhorias na qualidade de vida dos araçatubenses, especialmente em áreas como educação, saúde e infraestrutura. Afinal, é por pagar seus impostos que os munícipes esperam serviços públicos de qualidade.

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