Os primeiros cem dias de Dilador

Desafio do prefeito tucano é maior do que se esperava

Completados na semana passada, os primeiros cem dias de Dilador Borges (PSDB) à frente da Prefeitura de Araçatuba mostraram que o desafio é maior do que se esperava em diferentes campos, seja pela situação crítica na qual encontrou os cofres públicos, pelo estado deficitário da estrutura das secretarias e pela necessidade de combate a vícios políticos que pareciam enraizados, de forma nociva, na administração municipal.

Esse cenário leva a crer que o tucano precisará seguir na linha da austeridade, transparência e do diálogo, se quiser levar adiante seu plano de governo, o qual quase 60% dos araçatubenses depositaram confiança no pleito do ano passado.

Em entrevista coletiva, logo em seu terceiro dia de gestão, o tucano informou que a Prefeitura tinha dívidas de R$ 29 milhões, mas possuía apenas R$ 3 milhões em caixa. É diante desse quadro que o atual chefe do Executivo tem o desafio de promover avanços necessários em setores estratégicos, como saúde, educação e mobilidade urbana. 

A esperada capacidade de buscar parcerias, típica de quem vem do ramo empresarial, como ele, em alguns aspectos, foram positivas. Assim ocorreu na conquista de apoio da iniciativa privada para tapar buracos. Mas é preciso mais. Por mais que consumam a maior parte do orçamento municipal, saúde e educação precisam de investimentos. Daí, entrará em jogo sua capacidade de articulação política a fim de obter recursos do Estado e da União. 

E terá que fazer mais com menos. Um passo nesse sentido foi dado com o enxugamento de secretarias. Porém, como em outras administrações, certas nomeações para cargos comissionados, com nítida influência política, poderiam ter sido evitadas, seja por contenção de despesas e até mesmo para evitar desgastes. Foi o caso, por exemplo, da escolha do ex-diretor do departamento jurídico Celso D’Alckmin Filho, que foi exonerado após comemorar, em rede social, a morte da ex-primeira dama Marisa Letícia, em fevereiro. O comissionado seria indicação do vereador Almir Fernandes Lima (PSDB), aliado de Dilador na Câmara.

Por falar em desgastes, espera-se que Dilador tenha aprendido com estas situações. As duas baixas em seu secretariado — Ermenegildo Nava (Negócios Jurídicos) e Marly Garcia (Cultura) — mostraram que não adianta lutar contra aquilo que é questionável para a população. Nava teve parentes nomeados para cargos de confiança. Marly tinha dívidas de mais de R$ 60 mil com o município decorrentes do sumiço de aparelhos de ar condicionado quando exerceu função de diretora de Cultura no governo Jorge Maluly Netto.

Merecem reconhecimento, por fim, ações adotadas para cobrar mais responsabilidade de secretários e servidores e de buscar maior aproximação com a comunidade. Estas eram algumas características que a população sempre esperou de um prefeito. Porém, ainda espera que a gestão pública atinja, a cada dia, níveis maiores de eficiência.

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