Orçamento enxuto

Se Araçatuba não contar aporte, não será possível a realização de grandes obras

A julgar pelo orçamento de 2018 apresentado pelo prefeito Dilador Borges (PSDB), tudo indica que, se Araçatuba não contar com um bom aporte de recursos do Estado e/ou da União, ainda não será no próximo ano que a gestão tucana conseguirá fazer grandes realizações. De acordo com reportagem que a Folha da Região, a peça orçamentária do ano que vem, ainda dependente de aprovação dos vereadores, é apenas 4,75% maior do que a atual. 

Chama atenção, neste contexto, que os maiores aumentos ocorreram áreas administrativas, como o próprio gabinete do prefeito e a Secretaria Municipal da Fazenda; saúde e educação têm previsão orçamentária 6% e 2% maiores, respectivamente.

Prestes a completar um ano de governo, Dilador tem adotado forte discurso voltado à contenção de despesas. Por isso, em relação à Secretaria da Fazenda, justamente pelo fato de ser um setor valorizado nesta gestão, fica a expectativa de que novas ações voltadas ao aumento da arrecadação sejam colocadas em prática. Titular da pasta, Josué Cardoso de Lima já adiantou que, a partir do próximo ano, não será mantido programa de recuperação fiscal caracterizado pela polêmica medida de perdoar juros e multas de devedores. 

É preciso esse rigor também na hora de o governante se decidir pelo veto ou sanção aos projetos populistas aprovados pela Câmara destinados à isenção no IPTU, principal fonte de arrecadação do município — a última dessas propostas, com o objetivo de isentar da cobrança igrejas que funcionam em imóveis alugados.

Entretanto, a política de austeridade precisa convencer mais. Dilador, assim como seus antecessores, também privilegiou aliados políticos com cargos comissionados na administração municipal, que, se fossem cortados de forma mais incisiva, proporcionariam maior economia aos cofres públicos.

Só se espera que a atual administração , mesmo preocupada com o enxugamento, não deixe de promover avanços necessários na infraestrutura urbana, saúde e educação, searas em que se encontram as maiores reclamações dos araçatubenses.

A votação recorde em Dilador, depositada na eleição de 2016, deu-se na esperança de que a gestão municipal promova melhorias na prestação de serviços públicos.
Como já foi dito em outras ocasiões neste espaço deste matutino, um governo bom não precisa ser, necessariamente, grande realizador de obras, mas mantenedor da boa qualidade das ações que competem à administração pública.

LINK CURTO: http://folha.fr/1.369293