Obras malfeitas; população prejudicada

Entregas de obras ainda são acompanhadas de tentativas de se tirar proveito político

O fechamento da UBS (Unidade Básica de Saúde) do bairro São João, em Araçatuba, é exemplo clássico do quanto a entrega de obras malfeitas, mais cedo ou mais tarde, prejudica a população. Conforme a gestão do prefeito Dilador Borges (PSDB), a interrupção do serviço foi necessária em cumprimento à decisão judicial que obrigou o município a promover várias adequações estruturais no prédio para mantê-lo aberto ao atendimento público.

Não há como não concluir que os usuários do serviço foram pegos de surpresa. Ora, estavam acostumados a serem atendidos no local e, somente agora, depois de tanto tempo, ficam sabendo que a estrutura do lugar se encontra em condições irregulares.

Essa constatação, aliás, só vai ser reparada graças à varredura que o Ministério Público local fez a partir de 2014 em praticamente todos os serviços de saúde do município, resultando em várias ações civis públicas, cobrando da Prefeitura melhorias na parte física de pronto-socorro, pronto atendimento, no Hospital da Mulher e em praticamente todas as unidades básicas de saúde do município. 

Investigações do MP apontaram que serviços há décadas em funcionamento não tinham documentação básica, como alvará do Corpo de Bombeiro e registro do Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo).

O que está se vendo no bairro São João, portanto, é uma consequência automática. Para todas essas adequações serem promovidas, a população terá de ser “sacrificada” com a transferência para um posto de saúde mais distante. No caso, para a UBS do bairro Pedro Perri. Apesar de a distância entre as duas localidades ser considerada pequenas, não há como temer pela sobrecarga do serviço, um típico problema a se resolver em matéria de saúde pública.

Por outro lado, a entrega de obras com estruturas falhas ou com documentação em falta torna, mais uma vez, necessária a criação de lei que proíba a liberação de construções públicas inacabadas, como já ocorre em Birigui, Penápolis e Lins. Se mecanismos como esses existissem na maior cidade da região e funcionassem, certamente, problemas como o verificado no São João não existiriam. Ocorre que entregas de obras, especialmente na saúde e educação, infelizmente, ainda são acompanhadas de muitas tentativas de se tirar proveito político-eleitoral.

Não é à toa que a atual administração já sinalizou que a própria UBS do Pedro Perri, entregue no final de 2016 pelo ex-prefeito Cido Sério (PT), também precisa de adequações. Está claro, assim, que, para problemas como esses não acontecerem, é necessário mudar também a forma de os políticos tratarem a coisa pública. Daí, a razão de os pacientes da UBS São João protestarem.

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