O que esperar do cenário eleitoral?

Escolha sem consciência fará os 4 anos perdidos após a última eleição se multiplicarem

A manutenção da condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, aumentando sua pena de nove para 12 anos de prisão e ainda o enquadrando na Lei da Ficha Limpa, provocou alvoroço no cenário eleitoral de outubro. Sem Lula, que, apesar de todo o descrédito do PT, ainda aparecia em primeiro lugar nas pesquisas de intenções de voto, a tendência de despolarização na corrida à sucessão do presidente Michel Temer (PMDB) tende a aumentar. Fato é que, desde 1989, ano da primeira eleição direta para presidente depois do Regime Militar (1964-85), não há um equilíbrio de forças tão grande como se desenha para a disputa eleitoral deste ano.

Nos últimos pleitos, mesmo com número grande de candidatos, a briga pelo Palácio do Planalto se concentrou entre os candidatos do PT e do PSDB. Entretanto, com algumas das principais cabeças desses partidos envolvidas em escândalos ou no foco da Operação Lava Jato, outros partidos viram oportunidades de se fortalecerem.

Hoje, o PSDB está dividido. Lança o governador Geraldo Alckmin ou o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio? Ciro Gomes é o pré-candidato do PDT. Cristovam Buarque se lançou pelo PPS. O ex-presidente Fernando Collor, que sofreu impeachment quando governou o País, lançou-se pelo PTC. Do PCdoB, antigo aliado do PT, o nome provável é o de Manoela d’Ávila. Já Marina Silva, pelo Rede Sustentabilidade, deve tentar pela terceira vez chegar à presidência da República. O senador Álvaro Dias (Podemos) e o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL) completam a lista. 

E ainda há os “candidatos nanicos”, pertencentes a partidos políticos de pouca expressão: Valéria Monteiro, do PMN; José Maria Eymael (PSDC), Levy Fidelix (PRTB) e João Amoêdo, representante do Partido Novo, que, aliás, esteve em Araçatuba na manhã da última quinta-feira (25). 

O PT vai insistir em Lula, apesar das grandes chances de impugnação. Verdade seja dita, sem ele, a relevância do partido no processo eleitoral desaparece.
Diante da relação de postulantes, fica claro que, apesar do grande clima de embate político vivido pelo País nos últimos anos e o anseio da população por mudanças, há pouca ou quase nada mudança em termos de renovação nos nomes que se propõem a colocar o Brasil nos trilhos. Mesmo sem Lula, há presidenciáveis caciques, polêmicos, com histórico de corrupção, entre tantos outros perfis. 

Por outro lado, a vantagem de um leque maior de opções consiste na possibilidade de comparações entre os planos de governo. De qualquer forma, com um cenário mais equilibrado e sabendo quem é quem, espera-se que o eleitor faça a escolha de uma forma mais consciente. Caso contrário, os quatro anos perdidos após a última eleição presidencial só se multiplicarão.

LINK CURTO: http://folha.fr/1.386471